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Guaíba faz cinema

Mesmo sem uma sala de cinema apropriada, coletivos se esforçam para produzir filmes

Guaíba faz cinema
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No último sábado (11) estive visitando o Ponto de Cultura Biguá para prestigiar mais um evento marcante.

Depois de tantos momentos voltados para o teatro, desta vez a linguagem cinematográfica tomou conta do espaço erguido por meio das técnicas de bioconstrução aliadas ao amor pelo “sentimento” chamado Biguá.

Em uma sessão (que se tornou em duas) para o elenco, equipe técnica e seus familiares tivemos a oportunidade de conhecer, acompanhados de muita pipoca e quentão, o resultado final do curta metragem O Jurado, roteirizado e dirigido pelo artista guaibense Araxane Jardim.

 

 

Gravado em Guaíba no primeiro semestre de 2022, com elenco inteiramente local, o filme independente é resultado de um processo criativo que teve como um dos estímulos a participação da equipe em cursos de introdução à linguagem audiovisual promovidos durante a pandemia de covid-19.

O Jurado conta a trajetória de vida do personagem Célio (Antônio Lewbert e Peixotão Raptor), homem atormentado pelo passado e o envolvimento com as drogas que acabou determinando o seu destino desde a juventude.

A professora Anaí Antunes, uma das atrizes convidadas para as gravações do curta, falou sobre sua experiência nas gravações:

"Participar do elenco nessa produção foi um processo individual muito importante. Primeiro pela representatividade para aqueles que não tem uma formação específica para atuação no audiovisual ou uma experiência considerável nos palcos, mas que apresentam potencialidade ou até mesmo o desejo de desenvolvimento nessa área.".

Não tive a oportunidade de conversar com todos os envolvidos no projeto, porém, pelas caras de satisfação dos presentes, as palavras da Anaí encontram eco em outros corações. Ela acrescenta:

"A autoestima vai lá em cima. Eu me a-do-rei. É um incentivo para quem está de fora do rolê ousar, experimentar. E também porque se torna um ponto de referência pra trabalhar, melhorar o meu trabalho de atriz.".

A artista Adriana Gucca, que ficou responsável pela produção e pós-produção do filme ressalta que:

O filme contou com a participação de 22 pessoas e, com exceção de Eduardo Teixeira, um dos produtores do filme, nome conhecido no mercado cinematográfico, todos os demais, inclusive eu, são iniciantes na Sétima Arte, com pouca ou nenhuma experiência no cinema.”.

A questão local também ganhou destaque na fala dos artistas envolvidos. Para Araxane Jardim

“Em Guaíba têm bastante gente que atua, então eu chamei porque é a oportunidade para que essas pessoas possam ter alguma participação. A equipe é toda daqui, as locações todas dentro da cidade, e a gente fez todo esse processo de forma colaborativa”.

Adriana Gucca destaca que:

“Fora um dos editores, Leonardo Godoy, que é de Canoas, todos os demais são moradores de Guaíba, o que demonstra o potencial que a nossa cidade tem em relação ao cinema.”.

Anaí Antunes também ressaltou essa característica da produção:

"É outro motivo pra autoestima dar um salto, e enorme. É bacana quando alguém confia no teu trabalho, ainda que se tenha pouca experiência. Mais do que tudo, essa produção faz com que se tenha um sentimento de pertencimento com a comunidade local, a cidade de Guaíba. E isso se dá desde o fato de reconhecer as locações, passando pelo elenco, até os nomes que estão nos créditos. Experiência incrível.".

Apesar da noite fria no sul do Brasil, os sentimentos de realização, companheirismo e alegria tomaram conta do Ponto de Cultura Biguá, aquecendo as pessoas que, entre rostos felizes e olhos marejados, construíram uma atmosfera de “missão cumprida” mesclada com os ventos de um futuro repleto de emoção e Arte.

Araxane Jardim, bastante emocionado, falou sobre a linha trabalho de sua produção artística, sobre o novo aprendizado coletivo, como isso reverbera em O Jurado e pode também se materializar em trabalhos futuros:

“Espero que vocês conheçam o trabalho e pensem. A gente faz um trabalho mais voltado para a periferia e esses dramas invisibilizados na sociedade. A partir deste filme, uma estreia onde todo mundo estava aprendendo durante o processo criativo, a gente já está pensando em outras produções.”.

Adriana Gucca, estreante na função de produtora, fez questão de ressaltar sua satisfação com o processo e com a equipe, também demonstrando fôlego para os próximos projetos:

“O Jurado foi a minha estreia atrás das câmeras. Trabalhei como produtora, assistente de direção e de direção de arte. Confesso que foi uma experiência incrível que eu só tenho que agradecer ao Araxane Jardim pelo convite, pela confiança, ao Eduardo Teixeira por todos os ensinamentos. À todos os demais, gostaria de agradecer pelo comprometimento, pelo profissionalismo e pelo talento. Já temos outros projetos em mente e que venham mais experiências como essa.”.

O produtor audiovisual Eduardo Teixeira também falou sobre a sua experiência neste projeto e sobre o orgulho de ver alunos de seu curso partindo para as experimentações práticas:

"Trabalhar como produtor do curta-metragem O Jurado foi uma experiência recompensadora e muito emocionante. O diretor do filme, Araxane Jardim, realizou o curso "Oficina de Cinema", meses antes da realização do seu curta.
Como coordenador do curso citado, sinto um enorme orgulho ao perceber que um aluno decidiu colocar em prática o aprendizado que teve durante a sua capacitação audiovisual.".

Sobre isso Anaí Antunes complementa:

"Para a dimensão do coletivo, penso que a experiência no curta foi importante pelo engajamento do grupo, mostrando que é possível, que na cidade temos jovens talentos em diversas áreas culturais. Entendo que iniciativas como essas são de extrema importância para descobrir e apaixonar pessoas para se profissionalizar principalmente na área produção e técnica."

O musico Carlos Augusto Peixoto, conhecido como Peixotão Raptor, convidado para assumir o papel de protagonista do filme, também demonstra seu sentimento após a realização deste trabalho:

“Quero agradecer toda a galera, pessoal envolvido, que participou desse filme que a gente rodou aqui em Guaíba. Foi muito legal, então eu estou aqui para agradecer e dizer que essa cidade tem muito talento. Você que vai estar acompanhando continue acreditando nesta cidade e vem para o ‘lado bonito da força’.”.

 

 

Agora a ideia dos produtores é inscrever o filme em festivais de cinema e, assim que possível, fazer a estreia oficial para o público.

O mais importante é que os artistas guaibenses continuam se experimentando, ousando e buscando amadurecimento em diversos segmentos artísticos.

Já passou da hora de Guaíba ter políticas públicas com fundamento e abrangência suficientes para estimular tanto a produção dos artistas em atividade quanto para colaborar de forma eficiente para a formação de profissionais e público.

Iniciativas como essa do Ponto de Cultura Biguá são válidas, entretanto nosso contexto cultural precisa urgentemente de fomento e organização para crescer na mesma medida que os talentos se revelam.

A ideia (esperança) de um Fundo Municipal de Cultura ainda persiste na classe artística e nos agentes culturais locais. Quando isso se tornará realidade? Não sabemos nem ao menos se está nos planos do governo municipal. Na gestão passada, não passou de um sonho.

Os trabalhadores da cultura batalham todos os dias para que mais projetos nasçam e tragam esse lindo sentimento de realização coletiva.

Como artista e ativista cultural sigo entoando o meu mantra:

“Se tivermos estrutura e apoio, podemos fazer verdadeiros milagres.”.

Se você quer saber mais informações, não deixe de seguir o Ponto de Cultura Biguá nas redes sociais.

Nos próximos dias, o Realejo TV, canal de Youtube do Grupo de Pesquisa Teatral Realejo EnCena, também deve exibir um programa especial com imagens do evento e depoimentos de alguns membros da equipe do filme. Vale a pena dar uma espiadinha.

A coluna de hoje fica por aqui, mas logo o Drone Cultural volta cheio de papo.

Com o objetivo de valorizar e estimular todos os envolvidos no projeto, demonstrando o potencial de participação de pessoas em produtos culturais, vou deixar aqui a ficha técnica do filme. Percebam a quantidade de pessoas e funções necessárias para essa produção:

 

Elenco

Peixotão Raptor - Célio

Antônio Lewbert - Célio Jovem

Anaí Antunes - Milly

Araxane Jardim - Seu Excelso

Cris Espitalher - Dona Margarida

John Teller - Motoqueiro

Nicolas B.P.B. - Célio criança

Ellen Gonçalves - Expedita

Fevi - Sombra Policial

Isaque Conceição - Sombra Detento

Deia Alencar - Figurante

Araxane Jardim - Dublê

Direção:

Araxane Jardim

Direção de Fotografia:

Eros Lucy

Direção de Arte:

Araxane Jardim

Figurino:

Araxane Jardim

Produção:

Adriana Gucca

Eduardo Teixeira

Assistência de Direção:

Adriana Gucca

Assistência de Direção de Arte:

Adriana Gucca

Preparação de Elenco:

Araxane Jardim

Deia Alencar

Edição:

Leonardo Godoy

Eduardo Teixeira

Edição de Som:

Eduardo Teixeira

Leonardo Godoy

Câmera:

Eros Lucy

Áudio:

João Pedro Antunes

Eduardo Teixeira

Boom:

Xico Caporal

Crystyan Espitalher

José Guimarães

Iluminação:

Isaque Conceição

Xico Caporal

Claquete:

Xico Caporal

Renata Cecy

Carlos Lobo

Loren Barcelos

Equipamentos:

Eduardo Teixeira

Oficina de Cinema

Amovijar

Platô:

Xico Caporal

Deia Alencar

Produção de Objetos:

Xico Caporal

Transporte:

Xico Caporal

Alimentação:

Xico Caporal

Deia Alencar

Músicas:

"A Vila" - G.A.P.

"Te amare hasta morir"- Karina Latorre

"Lobe" - The Mini Vandals

"Patterns of Sadness" - Jeremy Korpas

"Toque de Capoeira Angola" - Mestre Guto

"Tudo depende" - Ubiratan Carlos Gomes

Sonoplastia:

Peixotão Raptor

Leonardo Godoy

Adriana Gucca

Colaboração:

Rafael Hitch

Adriana Gaeta

Têmis Nicolaidis

Comuna do Arvoredo

Africanamente Escola de Capoeira Angola

Francine Martins

Agradecimentos:

Bruna Worm-Santo Astral

Alessandra Carvalho

Parceria:

Comparsaria das Façanhas.

Espaço Livre Biguá

Grupo Teatral Realejo EnCena

Realização:

CineMudayMove

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