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Gustavo e Rodrigo são do pandeiro, Tiago toca bateria e Christyan violão. Eles formam os "Downboys", um grupo de quatros meninos com síndrome de down que juntos compartilham do mesmo sonho: seguirem carreira na música. Procuram agora recursos para contratarem um professor que o ajudam a terem autoestima, autonomia e uma convivência social maior dentro de Guaíba.
A reportagem acompanhou o primeiro encontro da banda na última sexta-feira (16) depois que foram afastados devido a pandemia, em março de 2020. Juntos, alegres e brincalhões, cantaram músicas de Michel Teló, da Anita, Wesley Safadão e Beth Carvalho. Ou seja, tocam de tudo: axé, pagode, samba, sertanejo e alguns são fãs do rock.
"Safadão é comigo", lembrou Gustavo que, aos 26 anos, ainda dedica seus dias para falar com sua namorada à distância. Ela, também portadora de síndrome de down, está publicando seu segundo livro na cidade turística de Paraty, litoral sul do Rio de Janeiro. O tema: esse romance entre os dois que quebram barreiras do amor e da inclusão.
Eles são acompanhados pelas suas mães, que formam a Associação de Pessoas com Necessidades Especiais de Guaíba (APNE). Dirce Kruguer, mãe de Gustavo, reforça que tem, sim, como criar oportunidades a eles:
- Se eles tenha paixão pela música, então vamos buscar espaços para que eles pratiquem isto. A ideia também é fazer que outras famílias participem juntos. Nesta pandemia, na vacinação, enfermeiros ficaram abismados com o número de pessoas com down que tem na cidade. Mas cadê eles? Onde ficam? O que estão fazendo? A nossa missão é dar oportunidade a eles serem cidadãos e atuarem como cidadãos. Tu acha justo deixar esses meninos ficarem trancados dentro de casa somente com os controles de tv? Não né.
Elas procuram agora alguém que adote esta ideia e que ajude a procurar algum professor de música, que ensinem a tocar seus instrumentos e o levam para apresentar em shows aqui em Guaíba, como na Semana Farroupilha, Natal, Feira do Livro e Páscoa. Alguém que entenda eles, e que tenha paciência. "Mas eles são maravilhosos, ensinam a gente, tu vai ensinando eles e eles ensinam a gente. Isso é divino, uma coisa muito boa. Isso é verdade", revela a mãe de Tiago, Giselda Rubert.
Já Rodrigo, aos 34 anos de pura alegria, diz que os Dowsboys está sendo algo muito novo, mas que a história da sua paixão pelo pandeiro, e pelo samba, é bem antiga:
- Eu me criei em roda de samba, comecei a tocar eu tinha idade do meu sobrinho. Primeiro pandeiro que coloquei na mão para tocar foi um grandão. E fui gostando, fui evoluindo com o tempo e hoje sou bom, inclusive quero ensinar os guris - expressa ele todo sorridente.
Para ajudar nessa ideia e iniciativa de inclusão, as mães criaram uma vaquinha na internet (clique aqui) para que comunidade também possa ajudar na contratação do profissional de música e manutenção dos instrumentos. Qualquer quantia doada pode ajudar os quatros chegarem mais perto dos objetivos: cantar, tocar, alegrar e se interagir mais ainda dentro de Guaíba.