O prédio da Associação de Proteção à Infância (API) no centro de Guaíba, onde funcionava a escola de educação infantil Vovó Flor, foi interditado em 2018 devido a rachaduras e ainda não tem previsão de reforma. Em 2019 a API recebeu o documento necessário para fazer a doação do terreno para prefeitura, que posteriormente seria responsável por reformar dois prédios com capacidade para atender cerca de 400 crianças.
A história da Associação é antiga. Foi fundada em 1938, com a doação do terreno pela família do ex-prefeito João Jardim (que faleceu em março deste ano, aos 89 anos), e, em 1969, começou com o atendimento á crianças oferecendo ensino básico. Entidade sem fins lucrativos, todo o dinheiro que entrava era de doação, de pais, voluntários e entidades filantrópicas. Chegou um momento, que em um prédio velho, não tinham mais verbas para sua manutenção e o poder público não podia doar por regras judiciais.
Depois de quase 20 anos, a API recebeu o usucapião (direito que adquire em relação à posse de um bem móvel), sendo considerada proprietária do terreno.
O projeto não avançou. Segundo a presidente, Carliana Uranga, com advento da pandemia e das eleições de 2020, foi engavetado, o que resultou em uma carta cortando o contrato e as tratativas com o antigo governo [do ex-prefeito José Sperotto], que, segundo ela, não teve interesse em receber a área.
A API quer doar o terreno para o município com a cláusula de que o prédio será destinado para área da Educação Infantil, não tendo mais nenhuma exigência.
No início de 2021, as conversas foram retomadas com o atual governo, do prefeito Marcelo Maranata e a secretária de Educação Claudinha Jardim. Carliana espera que as partes entrem em acordo para reforma dessa instituição de ensino infantil, que enquanto isto, está funcionando em duas residências no Loteamento do Engenho, com aluguel pago pela prefeitura.
Ela conta que dedicou sua vida profissional a API, onde colocou seu amor, afeto e carinho.
"Temos uma história riquíssima. Hoje grandes nomes de pessoas conhecidas de Guaíba, como o Padre José Eichelberger, Breno Guimarães e Otaviano Manoel de Oliveira Júnior, fizeram parte desta associação. A história é belíssima. Me aposentei, com muito orgulho de ter deixado um marco na história de Guaíba, e ao mesmo tempo me vejo muito triste toda vez que passo ali na frente e vejo a imensidão que poderia atender mais 400 famílias. Isso me dói.", conta.
A doação do terreno ainda deve ser votada na Câmara. A prefeitura não enviou esclarecimentos sobre o caso até o final desta reportagem.
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