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"O vento passou facilmente de 100 km/h", analisa meteorologista sobre temporal em Guaíba

Temporal com vento destrutivo causou danos em diversos bairros da cidade

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A tempestade severa que atingiu Guaíba por volta das 17h desta segunda-feira (17) foi um dos mais fortes temporais em anos na região metropolitana. O temporal com vento destrutivo causou danos em diversos bairros da cidade. A violência do vento chegou a provocar o tombamento de caminhões na BR-116 e estraçalhou vidros de casas e prédios pela cidade, além de ter causado um grande número de destelhamentos. As informações são do site MetSul Meteorologia.

O temporal ocorreu em uma tarde em que a temperatura foi muito elevada. A temperatura máxima na região metropolitana chegou a 38,2ºC em Campo Bom. Porto Alegre, na outra margem do Lago Guaíba, teve máxima de 36,4ºC. O calor formou uma forte área de instabilidade na Região Carbonífera, a Oeste de Porto Alegre, que se deslocou para a região metropolitana e teve sua maior intensidade sobre o município de Guaíba. 

A ferocidade do vento e a gravidade dos anos observados que chocam o observador, por óbvio, leva muitas pessoas a suspeitarem de tornado. A análise preliminar, com base nos dados disponíveis apenas duas horas depois do evento (avaliações de fenômenos severos de vento levam dias nos Estados Unidos), não sugerem que tenha sido um tornado a causa do vento destrutivo na cidade de Guaíba. Tornado é um fenômeno que atravessa uma faixa limitada de terreno, deixando um rastro de destruição numa espécie de linha (irregular) por onde passa. 

Os danos observados na cidade de Guaíba ocorreram numa zona muito ampla em que os danos estão dispersos por muitos pontos. Os vídeos mostram vento destrutivo na horizontal e por um período prolongado e não de poucos segundos, como ocorreria em um tornado. As evidências neste momento indicam que correntes violentas de vento descendentes, o que se denomina de micro-explosão (não é uma explosão propriamente dita) ou downburst em inglês, tenham ocorrido sob a célula de tempestade que afetou a localidade da Grande Porto Alegre. 

Segundo o meteorologista Luiz F. Nachtigall, "células de tempestade muito intensas podem produzir múltiplos microbursts e às vezes podem ocorrer um tornado envolto em chuva acompanhando, apesar de por ora e numa análise muito preliminar não existirem evidências de que tenha havido um tornado. Este tipo de fenômeno, downburst ou micro-explosão, é capaz de produzir vento tão forte quanto acima de 150 km/h, mas agora não há dados ainda suficientes de danos para estimar a velocidade do vento ocorrido na cidade de Guaíba que não possui estação meteorológica. O que é uma certeza é que o vento passou facilmente de 100 km/h". 

Tratou-se de evento isolado e estações próximas não registraram vento muito forte. Em Eldorado do Sul, por exemplo, registrou 40 km/h. Em Barra do Ribeiro, as duas estações da cidade indicaram 22 km/h e 31 km/h, respectivamente. Em Porto Alegre, as rajadas chegaram 63 km/h no Salgado Filho. No Jardim Botânico, também na Capital, 60 km/h. Em Canoas, na base aérea, 50 km/h. 

O temporal severo isolado de Guaíba não chega como surpresa. Desde a semana passada a MetSul vem alertando que o aumento da umidade em meio a uma massa de ar extremamente quente que provoca a onda de calor traria episódios isolados de tempo severo com risco de vento destrutivo por downburst (micro-explosão e/ou tornados). Os alertas enfatizaram sempre que o Leste do Rio Grande do Sul estava entre as áreas de maior risco, mas que pelo caráter excepcionalmente isolado deste tipo de fenômenos não é possível prever horas ou dias antes quais pontos exatos serão atingidos. 

Com uma massa de ar excepcionalmente quente há uma semana sobre o Rio Grande do Sul, produzindo sucessivos recordes de temperatura máxima e marcas jamais vistas em décadas em diversas regiões, o calor extremo acaba injetando uma quantidade de energia na atmosfera que é enorme e a forma que o sistema atmosférico libera tal energia é por tempestades. O calor aumenta, portanto, a probabilidade de tempestades serem mais severas. Por isso, as repetidas advertências nossas desde a semana passada sobre o risco de temporais muito fortes ou mesmo destrutivos em pontos localizados, risco que permanece com o prosseguimento da onda de calor e sua intensificação na segunda metade desta semana.

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