Em assembleia extraordinária realizada nesta quinta-feira (18), na sede do SindiGuaíba, os servidores municipais de Guaíba decidiram entrar em estado de greve a partir desta sexta-feira (19). Sob gritos de "essa conta não é nossa", professores da rede municipal e servidores do quadro geral tomaram a decisão após a prefeitura alterar o calendário de pagamento e adiar a primeira parcela do 13º salário.
O estado de greve significa que os servidores permanecem exercendo suas atividades normalmente, mas mantêm-se mobilizados e em alerta diante da grave situação enfrentada pelo funcionalismo público municipal.
De acordo com a presidente do Sindicato dos Professores Municipais de Guaíba, Michele Tavares, a medida representa a insatisfação da categoria com as decisões anunciadas e a preocupação com os impactos dessas medidas sobre os servidores e os serviços prestados à população.
Para o presidente do SindiGuaíba, Guilherme Schnaider, a decisão representa uma afronta aos servidores de carreira. Ele criticou o aumento nos últimos anos do número de contratações e a concessão de adicionais de até 100% sobre os vencimentos dos cargos de confiança (CCs). Segundo Schnaider, todos os 324 servidores comissionados da administração municipal recebem gratificações que dobram seus salários.
Os servidores decidiram ainda realizar um protesto em frente à Prefeitura na próxima terça-feira (23), quando a prefeita e a equipe de governo receberão representantes dos sindicatos, que apresentarão medidas consideradas viáveis para assegurar os pagamentos em dia.
"Existem, sim, maneiras de gerar economia para o pagamento do nosso décimo. Já demonstramos para a prefeita Claudinha Jardim que há alternativas, mas é preciso querer fazer isso", disse Schnaider.
De acordo com o município, a mudança no fluxo busca alinhar a saída dos salários com a entrada das principais receitas e repasses constitucionais. Como a maior parte dos recursos ingressa no caixa da prefeitura no último dia do mês, a transferência do pagamento para o início do mês subsequente facilita o fechamento das contas e garante fôlego financeiro para honrar os compromissos. O principal objetivo da adequação é blindar o caixa municipal para evitar que o funcionalismo enfrente salários parcelados ou atrasos nos próximos meses.
Em contato com a reportagem, o secretário municipal de Governo, Ernani Chacrinha, disse que o município tem enfrentado uma turbulência financeira que deve ser superada até o fim deste ano. "A prefeita Claudinha Jardim está tomando todas as medidas possíveis. Criamos o Comitê de Governança justamente para examinar todos os custos, contratos e cargos de confiança. Estamos fazendo o dever de casa, realizando diversas reuniões e apresentando os resultados à prefeita", afirmou.
Ele explicou que a mudança no calendário de pagamento dos servidores ocorreu porque a folha precisa ser processada com cerca de cinco dias de antecedência para que as instituições bancárias realizem os depósitos. "Quando se paga no quinto dia útil do mês, há um fôlego maior para garantir esses pagamentos. O 13º salário será pago em agosto, mas neste mês o pagamento ocorrerá normalmente no dia 30, conforme combinado", concluiu.
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