O Brasil corre sérios riscos de voltar a registrar casos de poliomielite depois de 35 anos, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). O motivo: a baixa cobertura vacinal no país e em mais sete da América Latina, de crianças entre dois meses e menores de 5 anos.
"Só existe uma maneira de prevenir pólio, que é através da vacinação. Mas com uma vacinação muito baixa, tem mais gente suscetível. Se temos quase 3 milhões de crianças nascidas vivas por ano, e se temos uma vacinação de 60%, temos 40% de quase 3 milhões que não foram vacinadas", alerta a médica infectologista Luiza Helena Falleiros Arlant.
O Brasil não bate a meta vacinal contra a doença, de 95%, há sete anos. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2015 atingiu 98%, em 2016 84%, em 2017 também 84%, em 2018 subiu para 89%, 2019 84% de novo, 2020 76% e no ano passado despencou para 67,71%. Guaíba bateu 79,91% da população vacinável em 2021, que representa uma queda de 22,33% em relação há dez anos atrás, em 2012, quando a cidade registrava acima dos 100%.

O coordenador da Vigilância em Saúde de Guaíba, Fábio da Costa, avalia que, infelizmente, os indicadores da cidade não diferem da realidade do país.
"A cobertura vacinal para as doenças preveníveis realmente vem diminuindo, não somente poliomielite, mas sarampo, rubéola e outras. Isso se deve às campanhas contra as vacinas divulgadas pelas redes socias sem baseamento científico nenhum. E ao longo dos anos, com as campanhas de imunização, se houve um controle dessas doenças a tal ponto da sociedade ignorar a existências delas", afirma.
Para ele, o que compete aos serviços públicos de saúde é, realmente, intensificar as ações de vacinação e a sociedade de um modo geral precisa ser mais sensível às ações educativas dessa prevenção, ou seja, levar as crianças e até mesmo adultos com carteira de vacinação atrasada às salas de vacina.
"Queremos tentar reverter esta tendência negativa, que é o declínio dessa cobertura vacinal que vem se identificando ano após ano como é visto nesses indicadores", destaca. "O lado bom é que temos uma solução para frear o risco de retorno dessas doenças, que é realmente vacinar as crianças, que deve repercutir numa qualidade melhor desses números e, consequentemente, numa sociedade mais saudável vamos dizer assim".
Pesquisador do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) desde a década de 1970, Akira Homma participou do trabalho de estruturar a produção das vacinas contra a poliomielite no Brasil, decisivo para que a doença fosse erradicada. Para ele, as coberturas vacinais atuais são muito preocupantes, mesmo em um país que é autossuficiente na produção da vacina intramuscular, numa parceria entre a Fiocruz e a farmacêutica Sanofi.
"Quando nós usamos a vacina de vírus atenuado para a eliminação da pólio na década de 1980, havia dias nacionais de vacinação que contavam com a participação de toda a sociedade brasileira e voluntários em milhares de postos de saúde, vacinando 18 milhões de crianças abaixo de 5 anos em dois ou três dias", lembra ele. "Não sei se conseguiríamos outra vez aquela mobilização, porque os momentos são diferentes, as prioridades são diferentes, mas a gente tem que buscar uma mensagem, porque a mensagem que está sendo transmitida não está chegando na população, não está tocando a população".
Dia D de Vacinação
O Dia D de Vacinação contra Poliomielite e de Multivacinação acontece neste sábado (20) nos postos do Centro, Cohab, Vila Iolanda, Columbia City, Colina e ESF da Pedras Brancas, das 8h às 17h. De segunda a sexta-feira os atendimentos acontecem na Columbia City, Cohab, Centro e Vila Iolanda e nas Estratégias de Saúde da Família (ESF) da Nova Guaíba e Primavera, até 9 de setembro.
Para crianças estarão disponíveis os seguintes imunizantes: Hepatite A e B; Penta (DTP/Hib/Hep B), Pneumocócica 10 valente; VIP (Vacina Inativada Poliomielite); VRH (Vacina Rotavírus Humano); Meningocócica C (conjugada); VOP (Vacina Oral Poliomielite); Febre amarela; Tríplice viral (Sarampo, Rubéola, Caxumba); Tetraviral (Sarampo, Rubéola, Caxumba, Varicela); DTP (tríplice bacteriana); Varicela e HPV quadrivalente (Papilomavírus Humano). Para adolescentes: HPV; dT (dupla adulto); Febre amarela; Tríplice viral; Hepatite B, dTpa e Meningocócica ACWY (conjugada).
Carreata contra Pólio

Para divulgar o Dia D, o Rotary Guaíba promoverá a 3ª Carreata Contra Pólio neste sábado (20). A carreata sai às 9h da manhã do Supermercado Assun, na avenida Adão Foques, seguindo pelos bairros Colina, Fátima, Parque 35, Centro, Loteamento do Engenho, Santa e Rita e Cohab. Todos estão convidados.
A erradicação da poliomielite é a principal campanha da organização internacional que conta com mais de 1,3 milhão de rotarianos em 218 países. Junto com diversos parceiros, já imunizou mais de 2,5 bilhões de crianças contra a paralisia infantil em 122 países, representando uma redução de 99,9% no número de casos mundiais. O objetivo é de não parar a campanha End Polio Now até que a doença seja erradicada para sempre em todo o mundo.
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