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Após um ano de sua morte, a escola municipal Rio Grande do Sul homenageou o professor e escritor Renato Isquierdo na noite de terça-feira (29). Ele era docente da escola da Vila Iolanda, na zona sul de Guaíba, de Língua Portuguesa.
Os professores realizaram uma aula especial com as turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) para conhecerem os trabalhados deixados pelo poeta, como seus livros As Aves Solitárias da Poesia e O Velho e a Bola, e o legado que o deixou para a literatura e a educação.
"Ele tinha uma dimensão que vivia com a cabeça na poesia, era um espírito que transbordava. As pessoas ao seu redor sentiam bem ao seu lado, pois ele tinha carinho, franqueza e sinceridade que poucas pessoas tinham. E tinha toda uma carreira para percorrer, foi simplesmente um anjo que passou por nossas vidas", contou o professor de História, Bruno Azambuja.
Isquierdo era formado em Letras, especialista em Ensino de Língua Portuguesa na Educação Básica e lecionava também no colégios Augusto Meyer e Evaristo da Veiga. Morreu em março de 2021, aos 36 anos, por complicações da covid-19 no Hospital Beneficência Portuguesa, na Capital.
A homenagem ocorreu no espaço cultural da escola que desde o ano passado ganha seu nome, de Renato Lacerda Isquierdo.
No domingo (27), familiares, amigos e colegas promoveram sarau de poesias também em homenagem ao escritor e professor no Espaço Sol Nascente, no centro de Guaíba. Participantes do evento declamavam as poesias que estavam estendidos em um varal em frente ao Espaço, como estrofes de Lágrimas de amor, Grande amor, Encontro e despedida, Além da própria vida e A morte do poeta.
A Morte do Poeta
Não! Está enganado quem diz que um poeta morre.
Um poeta não morre,
Um poeta vive!
Viverá para sempre
Nas palavras de amor que cantou,
Nas ilusões que ingenuamente acreditou.
Um poeta carrega uma estrela dentro de si.
Ali estão todos os sentimentos que sentiu,
Toda a felicidade, tão grande no coração
De um poeta.
Não, um poeta não morre!
Um poeta voa...
Voa para o céu
Como um pássaro solto no mundo,
Talvez toda a liberdade ainda seja pequena
Na alma do poeta.
Um poeta é aquela linda estrela
Pintada no céu.
É o amante que canta suas dores para a lua.
Se veste de tristezas como a noite,
Mas brilha forte no início do dia.
Um poeta é sol... é intenso... é vida!
Um poeta jamais morrerá!
Será eterno em tudo que sentiu, em tudo que viveu.
E haverá qualquer mistério na vida de um poeta
Como um belo fim de tarde,
Como um sol que nunca se pôs.
Um poeta viverá
Mesmo quando a máquina das horas enferrujar,
Quando as folhas secarem em um lindo dia de outono.
O poeta viverá na própria poesia que deixou.
Das páginas amareladas da história, a sua voz virá
Para lembrar os homens de que vale a pena viver.
Um poeta será um amor sem fim,
Como uma flor que, embora vencida pela tempestade,
Ainda exala seu perfume pelo jardim.