Amigos e familiares do escritor e músico Elivelto Corrêa participaram do relançamento do livro “7 contos de humanidade fantástica” neste domingo (14), no Califa Skate Bar. Velto, como era carinhosamente conhecido, faleceu em setembro, vítima de uma parada cardíaca aos 46 anos.
A obra foi lançada originalmente em agosto de 2019 e reúne histórias que exploram conflitos e dilemas humanos na contemporaneidade. Sexualidade, perdão, trabalho, dom e bondade estão entre os temas abordados nos contos “O Segredo do Fauno”, “A Fada e o Presidiário”, “O Deus de Aninha”, “A Quimera do Sétimo Andar”, “O Guerreiro, a Águia e a Espada de Luz”, “O Pequeno Lucy” e “Os Imigrantes de Marte”.
Com ilustrações de Miguel Magnus e Breno Dias, “7 contos de humanidade fantástica” seria relançado pelo próprio autor ainda neste ano. No entanto, os exemplares chegaram apenas dois dias após sua partida. Diante disso, familiares e amigos decidiram manter a iniciativa e realizar o relançamento sem a presença física de Elivelto, transformando o evento em uma homenagem marcada por músicas e poesias.
"Hoje quero convidar a todos para celebrar a vida dele, a vida que foi possível viver, a vida que foi possível sentir. Que junto da dor possamos celebrar a felicidade de ter sido amiga, amigo, mãe, irmão, irmã, sobrinhos, afilhado, enfim... pois ele vai continuar existindo por todo impacto positivo que causou em nossas vidas. E celebrar não significa mais esquecer, não significa não viver o luto, não significa não chorar ou sofrer. Eu sei que muitos hoje não vão conseguir falar e muitos irão falar por dentro, então quero que se sintam representados, importantes, afinal de contas temos aqui pessoas que participaram de todas etapas da vida do Velto em diferentes momentos e ele sempre nobremente considerava todos família", disse a amiga Cristina Ferreira.
Para a amiga Emilene Lopes, o legado deixado por Velto vai além da obra literária. “O legado é o tipo de ideia, trabalho e energia que você deixa no mundo. É como você marca as pessoas e como será perpetuado. O legado do Velto é o livro, é a arte do encontro, é a arte de fazer as ideias saírem da cabeça e irem para a rua. É mobilizar pessoas que nunca mais tinham subido num palco para tocar e continuar movimentando as pessoas mesmo depois da partida. Porque o legado fala pela gente”, afirmou.
A primeira experiência de Elivelto Corrêa com publicações autorais ocorreu em 2002, quando contribuiu com oito poemas para a coletânea “Cadernos Negros 23”, que reúne autores negros de todo o Brasil. Anos depois, em 2009, lançou sua primeira obra solo, o romance “Nubá – Liberdades Possíveis”, uma ficção que retrata um navio de negros amotinados em fuga da escravidão. O impulso para escrever Nubá veio da música “Redemption Song”, de Bob Marley, embora, à época, o autor não imaginasse publicar um livro. Já a concepção de “7 contos de humanidade fantástica” foi diferente, nascendo do desejo de transformar textos dispersos em uma obra única.
5º Prêmio Repórter Guaibense
Elivelto Corrêa será o grande homenageado do 5º Prêmio Repórter Guaibense, em abril de 2026, que reconhece iniciativas sociais, culturais e esportivas da Guaíba. O troféu da categoria Música terá o nome do cantor e escritor, devido sua história e contribuições para a cultura da cidade.
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