A Campanha Nacional de Vacinação contra poliomielite e de multivacinação começou nesta segunda-feira (8) e segue até 9 de setembro em todo o país. A vacinação contra a poliomielite é destinada para crianças menores de 5 anos e a multivacinação para crianças e adolescentes menores de 15 anos.
Em Guaíba, os atendimentos acontecem nas unidades de saúde da Columbia City, Cohab, Centro e Vila Iolanda e nas Estratégias de Saúde da Família (ESF) da Nova Guaíba e Primavera. É necessário apresentação de documento com fotografia, a carteirinha de vacinação do calendário anual de vacinas e comprovante da vacina de covid-19.
Para crianças estarão disponíveis os seguintes imunizantes: Hepatite A e B; Penta (DTP/Hib/Hep B), Pneumocócica 10 valente; VIP (Vacina Inativada Poliomielite); VRH (Vacina Rotavírus Humano); Meningocócica C (conjugada); VOP (Vacina Oral Poliomielite); Febre amarela; Tríplice viral (Sarampo, Rubéola, Caxumba); Tetraviral (Sarampo, Rubéola, Caxumba, Varicela); DTP (tríplice bacteriana); Varicela e HPV quadrivalente (Papilomavírus Humano). Para adolescentes: HPV; dT (dupla adulto); Febre amarela; Tríplice viral; Hepatite B, dTpa e Meningocócica ACWY (conjugada).
O objetivo é recuperar a cobertura vacinal de crianças e adolescentes que deixaram de tomar os imunizantes previstos no calendário nacional.
Ao participar do lançamento da campanha nesta segunda-feira, em São Paulo, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que o último caso de pólio no Brasil foi registrado em 1989. Segundo ele, a cobertura vacinal da população está diminuiu em todo o mundo, principalmente durante o período da pandemia de covid-19. O ministro também conclamou as famílias a levarem as crianças para vacinar.
"Peço aos pais que levem seus filhos para as salas de vacinação. É inaceitável que, hoje, no século 21, 100 anos depois do esforço extraordinário de Oswaldo Cruz para introduzir esses conceitos sanitários no Brasil, nós tenhamos ainda crianças com doenças que podem ser evitáveis por vacina", afirmou.
O ministério espera vacinar cerca de 14.3 milhões de pessoas contra a polio. Todos os imunizantes ofertados têm registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O risco
O Brasil não detecta casos de poliomielite desde 1989 e, em 1994, recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) a certificação de área livre de circulação do poliovírus selvagem, em conjunto com todo o continente americano.
A queda das coberturas vacinais no continente americano, porém, fez a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) listar o Brasil e mais sete países da América Latina como áreas de alto risco para a volta da doença. O alerta ocorre em um ano em que o Malaw, na África, voltou a registrar um caso de poliovírus selvagem, e a cidade de Nova York, nos Estados Unidos, notificou um caso de poliomielite com paralisia em um adulto que não teria viajado para o exterior.
Rotary contra o retorno da pólio no Brasil

O Rotary Club de Guaíba promoverá a 3ª edição da Carreata contra Pólio no próximo dia 20, para divulgar o "dia D" da vacinação contra poliomielite e de multivacinação que ocorrerá nos postos de saúde durante todo o dia. A carreata parte a partir das 9h da manhã do supermercado Asun, na Florida, e percorre os bairros Alegria, Colina, Centro, Loteamento do Engenho, Santa Rita e Cohab. Todos estão convidados a participar.
A erradicação da poliomielite é a principal campanha da organização internacional que conta com mais de 1,3 milhão de rotarianos em 218 países. Junto com diversos parceiros, já imunizou mais de 2,5 bilhões de crianças contra a paralisia infantil em 122 países, representando uma redução de 99,9% no número de casos mundiais. O objetivo é de não parar a campanha End Polio Now até que a doença seja erradicada para sempre em todo o mundo.
"Estamos em um momento de urgência e devemos desenvolver um programa estruturado de melhoria da cobertura vacinal, recorrendo a diversas esferas de parcerias para que, de fato, possamos interagir e engajar as famílias, pais e mães na garantia de evitarmos o retorno da pólio", enfatiza o curador da Fundação Rotária, Marcelo Haick.
O que diz especialistas
A infectologista Luiza Helena Falleiros Arlant lembra que a infecção pelo poliovírus é muitas vezes assintomática, mas pode ser grave e provocar paralisias irreversíveis e fatais, já que, além dos membros, a pólio também pode paralisar os músculos responsáveis pela respiração. Nesses casos, a sobrevivência do paciente pode passar a depender do uso de um respirador.
"Só existe uma maneira de prevenir pólio, que é através da vacinação. Mas com uma vacinação muito baixa, tem mais gente suscetível. Se temos quase 3 milhões de crianças nascidas vivas por ano, e se temos uma vacinação de 60%, temos 40% de quase 3 milhões que não foram vacinadas", alerta a médica, que é presidente da Câmara Técnica de Pólio do Ministério da Saúde e membro da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Pesquisador do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) desde a década de 1970, Akira Homma participou do trabalho de estruturar a produção das vacinas contra a poliomielite no Brasil, decisivo para que a doença fosse erradicada. Para ele, as coberturas vacinais atuais são muito preocupantes, mesmo em um país que é autossuficiente na produção da vacina intramuscular, numa parceria entre a Fiocruz e a farmacêutica Sanofi.
"Quando nós usamos a vacina de vírus atenuado para a eliminação da pólio na década de 1980, havia dias nacionais de vacinação que contavam com a participação de toda a sociedade brasileira e voluntários em milhares de postos de saúde, vacinando 18 milhões de crianças abaixo de 5 anos em dois ou três dias", lembra ele. "Não sei se conseguiríamos outra vez aquela mobilização, porque os momentos são diferentes, as prioridades são diferentes, mas a gente tem que buscar uma mensagem, porque a mensagem que está sendo transmitida não está chegando na população, não está tocando a população".
A própria erradicação da pólio, na opinião do cientista, fez com que a população perdesse o medo e o interesse pela doença, que já foi motivo de pavor de famílias ao redor do mundo ao longo do Século 20.
"A população hoje pensa que já está protegida, mas não está", diz ele.
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