Guaíba teve cerca de R$ 25 milhões de prejuízos financeiros na agricultura devido a estiagem, nos últimos três meses. Os picos superiores a 38ºC causaram perdas irreversíveis nas atividades agrícolas entre novembro de dezembro, segundo a Emater.
O laudo calcula perda de quase R$ 10 milhões somente na plantação de arroz, R$ 5,1 milhões na pecuária de corte, R$ 2,8 milhões na plantação de milho e R$ 2,3 milhões na soja. Há ainda perdas nas atividades de batata doce, melão, olerícolas, aipim e pecuária de leite em toda a zona rural da cidade.
A Emater diz que a perda estimada das lavouras para produção de milho está estimada em 90%; a sojicultora é uma atividade que vem expandindo a área de cultivo em Guaíba, chegando na safra 22/23 a 1.100 hectares plantados, mas as perdas atingiram 30%; e o arroz é o cultivo com a maior área na cidade, envolvendo 62 produtores, que teve uma perda estimada de 20%. A maioria no Logradouro, Petim, Boca da Serra, Assentamento 19 de Setembro e Matias.
Além das perdas das atividades agrícolas a estiagem apresenta a redução na quantidade e qualidade de água para consumo humano e dessedentação animal. Ao menos 20 produtores já buscaram apoio junto aos órgãos municipais para abertura de tanques para dessedentação animal e perfuração de poço artesiano comunitário.
"Tem produtores vendendo bem a baixo do mercado para tentar, vamos dizer, deixar a quantidade de animais equivalente ao que tem no campo. E isso é uma bola de neve. É uma crise econômica para o produtor rural que está sendo afetado hoje devido essa situação climática", avalia a coordenadora da Emater, Cora Silveira.
Segundo o engenheiro agrônomo Vitorino José Maia, há cada dez anos, sete registram estiagem na região Centro-Sul. "Tem anos que chove muito menos. Nosso grande problema neste ano é que no inverno choveu pouco, muito pouco. Então o produtor já não tinha água reservada suficiente para trabalhar", diz.
Guaíba deve decretar situação de emergência nos próximos dias, que pode permitir o apoio financeiro do estado do Rio Grande do Sul para o enfrentamento da estiagem. O coordenador da Defesa Civil, Anderson Gawlinski, relata que a cidade deve entrar em estado de emergência ainda esta semana, e que a Corsan afirmou que não faltará abastecimento de água nas plantações afetadas.
O governo do Estado confirmou que realizará um plano atualizado de enfrentamento. A informação foi dada pelo secretário da Casa Civil, Artur Lemos, durante o Fórum Permanente de Combate à Estiagem, que teve a participação de outros representantes do governo e de entidades ligadas ao agro.
“Alguns pontos prioritários levados em conta para elaborar o novo plano é o combate à fome e ao desabastecimento de água, assim como a distribuição de cestas básicas e a aquisição, por parte do governo, de produtos da agricultura familiar em cestas básicas, para fomentar a produção das famílias do campo. Outros tópicos que vamos trabalhar é reforçar os investimentos do programa Avançar e dar mais celeridade aos projetos que já estão em andamento”, detalhou Lemos.
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