Repórter Guaibense

Quinta-feira, 15 de Outubro de 2026

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Moradores discutem medidas sobre a enchente que devastou o bairro Engenho, em Guaíba

Bairro da zona norte de Guaíba foi um dos mais atingidos pela cheia dos lagos Guaíba e Jacuí

Moradores discutem medidas sobre a enchente que devastou o bairro Engenho, em Guaíba
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Moradores do Loteamento do Engenho realizaram assembleia na tarde desta quinta-feira (16), no Strike Bar, para discutirem medidas sobre a enchente das últimas duas semanas. O bairro da zona norte de Guaíba foi um dos mais atingidos pela cheia dos lagos Guaíba e Jacuí, afetando 1,6 mil moradores de mais de 700 unidades habitacionais, de acordo com a Defesa Civil.

Representantes entregaram ontem um abaixo-assinado com mais de 800 assinaturas para o procurador-geral da cidade, Alex Trindade, com suas inquietações acerca das causas e efeitos da enchente, destacando o escoamento das águas da BR-116 e das áreas de plantio de arroz como fatores contribuintes a situação em que o bairro se encontra.

O bairro registrava alagamentos até antes da elevação do Guaíba. Moradores tiveram vários questionamentos sobre o porquê da vinda das águas da rodovia federal, do avanço das águas nas áreas de plantio de arroz (no qual perderam todas as suas produções agrícolas) e do escoamento para os bairros Santa Rita, Cohab, Ipê e Loteamento do Engenho.  

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"A força da água vemos pela destruição do colégio Ismael Chaves Barcellos, mas eu não sei se existe ainda colégio pois a situação é precária. Houve uma correnteza enorme na avenida Victor Scalco, que começou a emendar com os valões, o Guaíba e outros bairros. A maioria perdeu tudo. Queremos saber se a cidade tem um plano de contingência das águas e se houve uma mudança no escoamento. Estamos fazendo esse questionamento para vereadores e a prefeitura buscando esclarecimentos do que mudou nesse meio tempo, do porque as águas estouraram desta maneira pra o bairro", afirmou Isaú Garcia.

Graziele Fernandes disse que foi criado comitê com intuito de discutir sobre o escoamento das águas no Loteamento do Engenho, no qual determinou três ações: o abaixo-assinado que pede auxílio e explicações sobre a causa da enchente, laudo técnico de especialistas da área e comunicação com a imprensa.

O documento aponta a implementação do Centro de Distribuição da Lojas Lebes, na BR-116, tendo uma extensa área que se manteve seca nas duas últimas semanas, e o beneficiamento do desvio de água para os bairros Parque 35 e Chácaras das Paineiras. Além disto, solicita que a Prefeitura Municipal de Guaíba explique para a comunidade os dados técnicos que comprovam as obras de melhoria de drenagem.

"Nós não estamos aqui condenando ou criticando ninguém, queremos ver onde estão esses estudos. Temos o receio que foram feitas várias obras que antes absorviam essa água, que não chegava da forma que chegou aqui no Engenho. [...] A questão do Engenho não é sobre o que perdemos agora, é o que nós iremos passar em situações futuras", destacou Graziele.

A assembleia contou com a presença dos vereadores Carla Vargas, Tiago Green, Graciano Pereira, Marcos SJ, Juliano Ferreira, Cristiano Eleu, Ale Alves, Florindo Motorista e do presidente João Caldas. Caldas disse que a Câmara pretende promover audiências públicas para atender as demandas de todos bairros atingidos, um por um. "Nós também queremos um estudo técnico de fato para ver o que aconteceu aqui e o que poderá acontecer no futuro", frisou.


O que diz a Prefeitura

O procurador-geral Alex Trindade disse que o bairro Engenho foi o mais afetado pela enchente e a enxurrada que aconteceu neste mês, devido três cargas importantes de água, como as águas históricas do Guaíba, que sempre ultrapassada a cota de inundação (3 metros). 

"Houveram outras duas cargas de água que contribuíram então com a devastação das ruas de quase todo o bairro. O rompimento da represa que chegou na fábrica Celupa com muita velocidade e violência e o transbordo do Rio Jacuí, que invadiu a Cohab-Santa Rita e depois o Engenho. Todas essas questões serão explicadas num material que a prefeitura está montando, com relatórios fotográficos e a análise da hidrografia da região", explicou.

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