Professores da rede municipal de Guaíba rejeitaram a proposta de reajuste salarial da categoria e entraram em estado de greve. Por unanimidade, a decisão ocorreu durante assembleia geral nesta quarta-feira (24) na sede da Assermiba, no Parque 35.
A principal reclamação é que há na proposta do governo a alteração no referencial nível 1, de servidores somente com curso de magistério, que deve acarretar em perdas salariais dos que possuem ensino superior, pós-graduação, mestrado ou doutorado.
- O que isto se desenha, como já temos exemplos de outros municípios e na rede estadual, é achatar a carreira do magistério. Ou seja, não tem mais a qualificação para carreira e o incentivo para o estudo e a melhoria profissional de nós professores da educação pública - ressaltou o presidente do Sindicato dos Professores Municipais, Pablo Gomes.
Os professores também assinaram uma carta aberta de repúdio à proposta apresentada do governo do prefeito Marcelo Maranata, que destaca a perda de salários dos professores e também o trabalho realizado durante a pandemia. Que promoveram e sustentaram a educação durante todo o período sem suporte ou apoio material ou econômico da mantenedora, sem receber o piso referente a 2020 (vigente no período), arcando com 100% do ônus financeiro das adaptações necessárias para se adequar ao ensino remoto que durou cerca 15 meses antes de migrar para o sistema híbrido.
- Eu me senti com a necessidade de fazer alguma coisa para tentar barrar antes que isto vire um projeto de lei. Não sei se vai surgir resultado ou não, mas escrevi esta carta aberta tentando explicar da melhor forma possível quais seriam nossas perdas à curto e longo prazo e tentando que isto se torne uma moção de repúdio para ser votado na Câmara - disse a professora Karen Ferreira, da escola Darcy Berbigier e autora do texto.
A Prefeitura publicou nas redes sociais a proposta apresentada para o quadro do magistério e disse que governo tem compromisso com os professores municipais, que não enviará a tal proposta antes de avaliar a contraproposta apresentada pelo sindicato. Esta contraproposta está em análise e estudos pelo setor de contabilidade da prefeitura. Desta forma, o projeto de lei que vai alterar os valores dos vencimentos da categoria somente será enviado para a Câmara Municipal de Vereadores na próxima semana.
"Estado de greve" não é greve
O estado de greve se diferencia do indicativo de greve e da deflagração da greve em si. Ele é, portanto, compreendido como uma situação aprovada pelas trabalhadoras e trabalhadores para alertar os governantes sobre a possibilidade de deflagração de uma greve. Assim, o estado de greve figura como momento de reflexão, debate e mobilização em torno de um processo que pode vir ou não a culminar em uma greve, aqui compreendida como instrumento legal e legítimo diante de reivindicações.
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