Devido a microexplosão que atingiu Guaíba e demoliu há um mês a estrutura da escola Carmen Alice Lavieguerre, o Ciep, estudantes retomaram as aulas presenciais nesta segunda-feira (21) em duas outras escolas da zona norte: Professora Aglae Kehl e Santa Rita de Cássia.
O Ciep, como é conhecido, espera agora processos burocráticos para reconstrução do telhado totalmente demolido pelos ventos que chegaram a até 150 km/h. Um empresa venceu a licitação da Secretaria Estadual de Educação, com custo de R$ 480 mil, e está para assinar o contrato em breve para começar as obras do prédio que existe há quase 30 anos na comunidade.
Um mês depois, a diretora Carla Salazar destaca que tem ainda a esperança de fazer o melhor para retomar os trabalhos da escola, de abraçar seus estudantes, professores e funcionários e de voltar a desenvolver o trabalho pedagógico de qualidade.
- Essa esperança eu não posso deixar morrer, tenho a convicção que ainda existe. A esperança da obra é muito democrática e lenta, em um contexto público, mas acreditamos que as coisas andam mais rápidas. A gente acredita nisto. Mas não depende exclusivamente de nós, então temos que aguardar e esperar e enquanto isso temos um grupo de professores que vão dar o seu melhor nesta escola que está pronta e de braços abertos para nos receber - expressa ela.
A escola atendia antes da tragédia 200 alunos que foram transferidos para a escola Aglae e 600 de educação infantil até o terceiro ano que ocupavam as salas devido a falta de espaço da escola Santa Rita, uma das maiores instituições da rede municipal de Guaíba.

"Fizemos mágica", diz a vice-diretora da escola Santa Rita, Aline Freitas, sobre receber centenas de alunos nesta segunda-feira que antigamente estavam no espaço emprestado. A sala de vídeo foi divida em duas salas de aulas, o refeitório tornou-se a sala dos professores e a sala dos professores também tornou-se salas de aulas para acomodarem 29 turmas. Não tem mais biblioteca, a sala do xadrez, a sala da capoeira e sala de reforço. Tudo agora é sala de aula.
- Apesar de nós estarmos no prédio do Ciep, sempre fomos da escola Santa Rita. Voltamos para casa, aqui é nossa casa, então preferíamos estar aqui que ir para outras escolas diferentes. O nosso próprio diretor diz que são nossos alunos, que queríamos eles perto da gente mesmo tendo que montar um quebra-cabeça gigante - conta.
A escola não tem vagas mesmo havendo uma grande procura de pais e responsáveis para atender crianças e adolescentes que moram próximos da instituição. "Tivemos que fazer lista de espera para primeiramente receber essa multidão de estudantes. Não tem espaço físico, não cabe mais estudantes infelizmente no Santa Rita", conclui Aline.

"O nosso próprio diretor diz que são nossos alunos, que queríamos eles perto da gente mesmo tendo que montar um quebra-cabeça gigante"
Vice-diretora da escola Santa Rita de Cássia, Aline Freitas.
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