“Mentes livres e emoções saudáveis... corpos doentes, almas impuras”. Estamos vivendo uma era que, apesar de toda tecnologia, não conseguimos conectar corpo e a mente na busca incansável pelo raciocínio lógico que poderia nos levar,ao caminho do auto conhecimento.
Na luta pela qualidade do ensino e da formação de profissionais mais capacitados, onde teoricamente, entendemos como a “fórmula de sucesso”, temos como objetivo principal, a busca por um futuro mais consistente, intelectualmente falando, com cidadãos melhores que os da nossa geração, porém, temo que as decisões que estamos tomando, possam estar nos levando para uma estrada, onde nosso “trem do conhecimento” vem acelerando, e sem nos darmos conta que ele pode estar desgovernado, rumando ao precipício....
A reflexão desta semana, trás a discussão referente ao ensino a distância e as escolas e universidades, com os cursos 100% EAD”s! E falando nisto, um curso que jamais passava pela minha cabeça ter a distância, parece estar se materializando para ser uma realidade, que é o curso de Bacharel em Direito!
Estamos na era do conhecimento, da democratização das informações, mas nunca produzimos tantos copiadores de conteúdo, em vez de pensadores, talvez parte deste comportamento, criado pelo distanciamento e abismo que criamos entre todos, sejam eles estudantes ou profissionais já graduados.
Existe uma máxima que sempre gosto de repetir:
“A escravidão não terminou... antes se algemava o corpo, hoje se algema a mente...”
Hoje as doenças psicológicas são as principais causas de afastamento nas empresas, aliás, eram, porque nesta era da pandemia o afastamento virou uma realidade que parece definitiva.
O convívio social sempre nos oportunizou muitas coisas, divisão de conhecimento, compartilhamento de experiências, oportunidades de negócio e até mesmo a formação de muitas famílias ! E todas essas situações citadas, iniciaram-se no Ensino Médio e materializaram-se no Ensino Superior.
E agora? Como vamos entender,dividir e multiplicar a distância?
Nossas universidades, além de serem uma fonte inesgotável de conhecimento, sempre foram, um verdadeiro balcão de negócios! Foi lá que reencontrei amigos de infância, conheci mestres incríveis, dividi experiências, adquiri conhecimento e formei uma rede de contato profissional incrível! Aliás, de dentro de minha Universidade, qual seja, a nossa querida ULBRA GUAIBA, conheci minha sócia Kalynka Pfleger, neste sentido, também formei uma parceria de trabalho a mais de 4 anos com um dos escritórios mais bem conceituados de Porto Alegre, dividindo conhecimento e conquistando espaços profissionais sensacionais, com dois professores, um que foi meu coordenador na Universidade Luterana do Brasil,campus GUAIBA, o amigo e advogado Alberto Wunderlich e também professor e Advogado da PUC, Dr. Luciano Chedid.
Será que se tivéssemos cursado uma faculdade 100% a distância, teríamos a oportunidade de nos conhecer e poder construir uma empresa? Será que os contatos realizados naquelas oportunidades de “cafezinho” poderiam se tornar contratos de trabalhos?
Sou um verdadeiro apaixonado por tecnologia, ainda mais aquelas ligadas ao ensino. Em diversas oportunidades utilizo ferramentas com recursos online, que me auxiliam e muito, seja no trabalho do dia, ou na na direção do Clube de Serviços que participo e até mesmo para matar a saudade de amigos e familiares por conta deste isolamento onde nos comunicamos virtualmente. Porém, acredito que algumas decisões devem ser tomadas com a devida cautela para não termos um grande problema no futuro, motivado pela utilização destas alavancas virtuais de conhecimento,que são as plataformas digitais !
Conforme dados fornecidos pela UNESCO, estima-se que mais da metade dos estudantes no mundo ficaram com aulas suspensas por mais de 6 meses durante essa pandemia, que se iniciou em 2020. Acredito que a parte pública, poderá ficar esse ano todo de 2021. E isso, atrelado com a insegurança gerada por muitas incertezas no combate da Pandemia, que assola o mundo, tende a ganhar mais espaço entre as instituições de ensino particulares. No Brasil, em especial no ensino superior, o Ministério da Educação emitiu a portaria 343 de 17 de março de 2020, que autoriza as instituições de ensino superior a adaptar seus cursos presenciais ao formato EAD durante a pandemia.
No começo, com todos ainda tentando se adaptar com o início da quarentena em suas casas e as regras de distanciamento social, a a adaptação do ensino, para formato online, parecia ser a mais adequada, como uma espécie de “redução de danos” a todos os estudantes. Um meio para garantir um ano letivo, da forma como fosse possível acontecer .
A referida medida é elogiável no ponto de vista da proatividade e empreendedorismo, porém está mais para um diagnóstico de sintomas de problema do que propriamente de solução!
Passados já, mais de doze meses do início da pandemia, precisamos avaliar melhor e com mais cuidado, o que pode ou não ser implementado como método definitivo!
Vejo muitos modelos híbridos funcionarem com precisão, trabalhando parte das aulas presenciais e parte das aulas online e com isso vejo um futuro sendo construído com mais cautela, com mais cuidado.
Esse distanciamento entre Universidade e alunos, além de comprometerem diretamente a parte pedagógica e do chamado “network”, aumentou muito, os riscos de doenças psicológicas causadas pela falta de convívio social, que já apareçam em grande escala por tudo que estamos vivendo.
A falta de criatividade, de oportunidade e de formação de grupos sociais, corre um sério risco de desaparecerem agravadas pelo ensino 100% a distância!
Embora haja vasta literatura indicando que ensino a distância é tão efetivo quanto o presencial, nem tudo pode ser ensinado de forma online. Apesar de estarmos em um avanço tecnológico, ainda sofremos pela grande diferença social que convivemos, onde claramente nem todos tem condições de possuir equipamentos e conexões de qualidade adequadas para receber a informação fornecida pelas escolas e universidades a distância, e tão pouco ambientes adequados para que se possa receber tanta informação pelo meio digital.
Neste prisma é correto afirmar que muitos professores sofrem com esse mesmo problema de condição x adaptação neste formato, por também não terem a estrutura necessária para fornecer o ensino de forma adequada.
Aliás, esse problema é o reflexo da falta de investimento e reconhecimento na área que forma TODOS que executam suas funções! Quando falo em TODOS, pensem, nos médicos, advogados, engenheiros, psicólogos e por aí vai ....
E outro fato importantíssimo, é que muitas disciplinas de cursos superiores, como o próprio curso de Direito, dependem, necessariamente de atividades presenciais.
Nossa educação e consequentemente a formação de profissionais,exige VÍNCULO e isso somente é possível conseguir de forma presencial.
Ainda neste sentido, repiso meus argumentos anteriormente discorridos,sou um apaixonado por tecnologia, sou um defensor da praticidade, gestão do tempo e outras coisas que nos ajudam a ter uma maior produtividade diária, porém precisamos ficar atentos para não descarrilhar nosso “TREM DA EDUCAÇÃO” ,acelerando mais do que necessário,podendo até mesmo passar a impressão da mercantilização do ensino, usando como justificativa a atual situação provocada pela Pandemia.
Temos que avaliar de forma criterioso a desigualdade que vivemos e entender que tais ferramentas de ensino,podem comprometer o desenvolvimento de grande parte da população !
E quando falo em analisar, é termos a plena certeza, que hoje existe um verdadeiro abismo entre a divisão de conhecimento e as condições de aprendizagem! Um verdadeiro abismo entre a VONTADE DE APRENDER E AS VERDADEIRAS CONDIÇÕES PARA RECEBER O APRENDIZADO !
É CRISTALINO que precisamos correr riscos, de nos reinventarmos de nos adaptarmos a um modelo que atenda as condições atuais. Mas temos que ter a sapiência necessária de não sermos agressivos na tomada de decisão em relação ao nosso ativo mais importante da vida, que é o CONHECIMENTO! Talvez as plataformas digitais sejam mais fáceis para alguns, assim como inacessíveis para outros! Pode ser que o ensino a distância, neste momento, seja a melhor e única alternativa para o atual momento que estamos vivendo, mas com certeza,após estabelecermos, novamente a ordem, com certeza não será nossa única opção!
Com certeza precisamos viver um dia de cada vez, diante de toda incerteza que estamos presenciando.
Precisamos seguir evoluindo dentro das alternativas oferecidas, correr os riscos necessários, mas não podemos nunca deixarmos de olhar o futuro e as consequências que as ações do presente, vão gerar logo ali.
Encerro essa reflexão meus queridos leitores, dizendo que, quando nos dispomos a produzir informação, a chance de não escrever algo consistente é grande, porém se ela for dívidida e discutida, tem grande chance de gerar até mesmo uma descoberta, somos uma sociedade que descobriu que precisamos de convívio social, somos uma sociedade que precisa de calor humano, que precisa de contato físico e PRESENCIAL!
Lembrem-se :
“quem vence sem riscos, triunfa sem dignidade”.
Mas vencer com riscos, não quer dizer que eles não foram devidamente calculados...
Mais não falo, apenas reflito...
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