Olá, queridos leitores.
Trago a vocês, na coluna de hoje, muito sentimento — e tento dividir orgulho, frustração, resiliência e legado.
Espero que consigam sentir o que sinto e que possam, em pensamento, dançar e ao menos imaginar o que é estar em um palco… dançando.
#vacaria2026
Entre palcos e caminhos, habita um silêncio denso e uma dor invisível —sentimentos que jamais alcançam a plateia, mas que marcam para sempre o coração de quem vive o palco por dentro.
Sobre concursos, palcos e caminhos…Concursos de dança têm algo curioso…
Pra quem assiste,parecem só alguns minutos de luz, música e aplauso.
Mas pra quem vive,eles são feitos de meses.
De tentativas.De erros repetidos até virarem acertos.Competir nunca é só disputar nota.
É enfrentar o próprio limite.
É descobrir força onde a gente achava que só tinha cansaço.
É entender que, às vezes, o resultado vem na planilha…e, às vezes, vem escondido dentro da gente.
No fim das contas,o palco não revela apenas coreografias —ele revela caráter, união e história.
E é nesse espírito que esse texto começa.
Às vezes pelas nossas mãos, às vezes pelas dos outros
Quem vê o brilho do palco aceso nem sempre imagina o caminho percorrido até ali.
Os ensaios depois do cansaço.Os pés doendo dentro da bota ou da sapatilha…
A roupa suada.A garganta rouca de contar tempo.O coração acelerado antes de cada entrada.
Participar de um grupo de danças é aprender, todos os dias,a cair junto e a levantar junto.
E a gente levanta.A gente treina mais.
Ajusta o passo.Repete o giro.Corrige o detalhe que quase ninguém vê.
E mesmo assim…às vezes não vem.
Às vezes não ganhamos pelas nossas próprias mãos —por um erro bobo,um tempo adiantado,um sapateio ou sarandeio que não ficou “perfeito”.
Às vezes escapa pelas mãos dos outros —uma avaliação que não enxerga o que fomos,um critério que não nos alcança.
Às vezes é a música que falha,o som que atrasa,o compasso que quebra o encanto.
E dói.
Dói porque a gente sabe o quanto merecia.Dói porque ficamos sempre ali…entre os melhores…batendo na trave…quase.
Mas talvez o “quase” também ensine.Talvez a vida esteja nos lembrando que dançar nunca foi só sobre troféu.
É sobre quem a gente se torna no caminho.Sobre o abraço depois do resultado.Sobre o riso nervoso no bastidor.Sobre a mão apertada dizendo:
“vai dar certo”.
Sobre a história que construímos juntos.Ganhar é momento.Mas o legado… é permanente.
Se ainda não foi pelas nossas mãos,nem pelas mãos dos outros…talvez seja porque estamos sendo preparados para algo maior.
Porque existem vitória que não cabem em troféus —cabem na alma.
E enquanto houver música, chão e coragem…a gente vai seguir dançando.Sempre.
Dedicado com carinho à veterana do CTG Gomes Jardim,
que traz nos passos a memória do tempo,no olhar a serenidade de quem já atravessou muitos palcos e no peito a chama mansa — e eterna — da tradição.
És raiz que sustenta,farol que orienta,ponte entre o ontem e o amanhã.
Tua história não ecoa só na dança…ecoa nos corredores,nos ensaios,nos conselhos sussurrados, na mão estendida pra quem está começando.
Porque mais do que competir,tu nos ensinaste a amar o caminho.
Mais do que vencer,nos ensinaste a ficar.
A permanecer.
A resistir.
A dançar… mesmo quando o mundo pede descanso.
Que teus passos sigam marcando o chão e que cada legado teu floresça nos pés dos que vêm depois.
Mais não falo,apenas reflito ……
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