O professor e escritor Valdivino Rodrigues, de 72 anos, será o patrono da Feira do Livro de Guaíba, que inicia na próxima segunda-feira (25), no Largo José Cláudio Machado. O homenageado da 33ª edição do evento se prepara ainda para o lançamento de sua quarta publicação, a obra "O Guaíba: rio ou lago?".
Para ele, ser patrono da Feira do Livro é uma questão de honra e responsabilidade, em um evento que comemora o centenário da cidade. "Entre tantas feiras do livro que já ocorreram, acho que esta é uma das mais importantes porque marca a nossa história e a nossa trajetória", disse à reportagem.
Convidado para ser patrono na edição do ano passado, quando imaginava que faria mais trabalhos para divulgar a feira do Centenário, houve um imprevisto: sua esposa sofreu um AVC. "Passei o início do ano no hospital, e até agora não houve um avanço significativo para ela voltar a andar. Isso é um transtorno. Queria cuidar da Feira com mais carinho, mas estou com todas as expectativas para esta Feira", destacou.
Ele é patrono em comemoração aos 100 anos da cidade não por acaso. Em 2021, escreveu a obra "Estudos Guaibenses", resultado de uma pesquisa que realizava havia cerca de 35 anos, desde 1987.
Antes, o material parecia um polígrafo de faculdade e era utilizado por estudantes de diversas escolas das redes municipal, estadual e particular de Guaíba. Os professores utilizavam seus conteúdos para trabalhar com os alunos em sala de aula como ferramenta pedagógica, ensinando desde a origem do nome da cidade até seus símbolos.
A próxima obra, que será lançada durante a programação da Feira do Livro, trata de uma temática bastante polêmica: "O Guaíba: rio ou lago?". Ele explica que, desde 1820, esse questionamento entrou no domínio popular, mas, ao analisar os mapas geográficos mais antigos da região, o local era chamado de Lagoa de Porto Alegre ou Lagoa de Viamão. Então, para ele, a resposta é simples: é o Lago Guaíba.
"Geograficamente, sim. Ele não tem nascente para ser rio, não tem margens paralelas para ser rio, e o lago é formado por baías, enseadas e pontas. [...] O Lago Guaíba tem vegetação lacustre, que é a vegetação existente nas beiradas de lagoa. É lago pelo formato dele, pois lago não é apenas uma quantidade de água cercada por terra em todos os lados. Isso é uma visão simplista, porque o lago pode ser alimentado e escoado", explica.
Ele também já lançou livros sobre a história de Mariana Pimentel, que antes de sua emancipação pertencia a Guaíba, e sobre a Serrinha, que conta a história da pequena região interiorana entre a cidade e Barra do Ribeiro, que guarda a memória da imigração suíço-valesana no Rio Grande do Sul. O quinto será sua autobiografia, "As aventuras de Valdinho", como ele é conhecido nas salas de aula.
Valdivino é bacharel e mestre em Teologia, pesquisador da história e da geografia de Guaíba, bem como da imigração suíço-valesana no Rio Grande do Sul, além de professor nas escolas da rede municipal da cidade.
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