Repórter Guaibense

Segunda-feira, 01 de Junho de 2026

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Saiba quem é Carmem Blaskoski, que aos 80 anos será patrona da Feira do Livro de Guaíba

Jornalista e escritora foi escolhida para liderar o evento no Largo José Cláudio Machado, em 2027

Saiba quem é Carmem Blaskoski, que aos 80 anos será patrona da Feira do Livro de Guaíba
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Durante o encerramento da 33ª Feira do Livro de Guaíba, neste domingo (31), a prefeita Claudinha Jardim anunciou a patrona da edição de 2027. A jornalista e escritora Carmem Blaskoski foi escolhida para liderar o evento no Largo José Cláudio Machado, celebrando seus 80 anos de vida.

Em novembro, durante a Feira do Livro de Porto Alegre, ela lançou sua primeira obra "Minhas vidas com meu filho", em homenagem ao filho mais velho, Tadeu, que faleceu aos 48 anos, em 2023. Era um sonho antigo dessa mulher que sempre amou escrever. Formada na primeira turma de Jornalismo da PUC, há 50 anos, ela realizou esse sonho com o apoio do edital PROArte Guaíba, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura.

Tadeu tinha esquizofrenia, que não era ligada à deficiência mental. A deficiência dele nunca foi especificada, pois apresentava traços de várias. Na primeira internação no Hospital de Clínicas, em Porto Alegre, descobriu-se que um dos cromossomos havia saído do lugar. Para ela, escrever foi muito doloroso, mas também libertador, pois permitiu colocar para fora toda a dor da perda do filho. Não à toa, algumas pessoas a conheciam como “a Carmen do Tadeu”. Uma mãe que acompanhava cada passo do filho, mesmo quando ele era rejeitado — especialmente na igreja, o lugar que ele mais amava.

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Questionada sobre qual parte do livro foi mais difícil de escrever, Carmen chorou. Disse que foi relembrar o momento da morte do filho, o dia em que se viu sozinha. Já sobre o trecho de que mais gostou, citou o início de tudo, quando levou nove anos para conseguir engravidar. “Eu era chamada de figueira do inferno e ninho sem ovos, porque não tinha filhos. [...] Agora, com quase 80 anos, estou lançando esse meu livro, colocando muita vibração nele, pois conta toda essa história”, completou.

Ela diz que ainda não se sente escritora, é apenas a Carmem. Escreve porque isso faz parte dela, assim como fez ao longo de muitos anos no jornal O Guaíba, que administrou por mais de 30 anos ao lado do marido, Antônio, e da filha do meio, Ciça. A história desse jornal, que faz parte da memória da cidade, será o tema do próximo livro que ela pretende lançar ainda em 2026.

Sobre ser patrona da 34ª Feira do Livro de Guaíba, sua terra natal, ela disse que não pode prometer nada além das suas possibilidades, que é amar os livros e fazer todo o possível para que a Feira se torne ainda maior. "Queremos mais leitores, mais livros e mais pessoas envolvidas com o nosso trabalho", disse.

Para Claudinha, Carmem faz parte da história da cidade e tem muito a contribuir para Guaíba. "Oficialmente, somente em 2027 ela será a nossa patrona, mas já estamos anunciando com antecedência para que todas as nossas escolas e equipamentos possam trabalhar as obras dessa incrível mulher, que tem tanto de Guaíba dentro dela e uma alegria contagiante que nos ensina", afirmou.

Carmem também trabalhou como chefe de gabinete dos então prefeitos Solon Tavares e Nelson Cornetet por mais de duas décadas, além de ter atuado como professora das séries iniciais na Escola Nossa Senhora de Fátima.

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