Don Barulho era um apaixonado pela tradição, pelas coisas da nossa cultura, dos nossos costumes e um homem rude, mas de grande admiração e guardião dos valores da instituição chamada Família.
Para ele, o lugar mais sagrado do universo era o lar, o ambiente mais sadio era entre os seus, preservava os valores e exigia dos netos e sobrinho a solicitação de bênção e o tratamento de Senhor e Senhora.
E não fazia isso por rigidez vazia, mas por compreender que o respeito é o alicerce que sustenta qualquer estrutura familiar. Para Don Barulho, tradição começava dentro de casa no jeito de falar, de sentar à mesa, de olhar nos olhos e de honrar os mais velhos.
Os tempos voaram, Don Barulho habita um galpão rudimentar, com seus arreios e avios pendurados, lá na estância do céu, a vó Judith deve estar por perto, aquecendo a água e servindo o mate dele com carinho e afeto, mas aqui por essa vida, estamos vendo que os valores e a fortaleza dessa instituição tão defendida por um avô terrunho, não anda tão forte e em voga.
Vivemos tempos ligeiros, onde as conexões são rápidas, mas os vínculos nem sempre são profundos. E talvez por isso a palavra “família” precise ser lembrada não como conceito antigo, mas como necessidade atual.
Bueno, dito isso no más, tivemos uma inspiradora apreciação de Grande Família nesse final de semana, trazendo acalanto e esperanças ao coração.
Relato: Fomos ao 36º Rodeio Internacional da Vacaria, na cidade homônimo ao evento, com dois ônibus carregados, cerca de cento e vinte pessoas, representando o CTG Gomes Jardim, com suas invernadas Adulta e Veterana, junto de muitos familiares, o final de semana foi pequeno pra tanta emoção.
Entre tantas coisas, tantos sentimentos que permearam o evento e o final de semana, o de Grande Família se sobressaiu com muita evidência.
Não era apenas um grupo viajando para dançar. Era uma comunidade se deslocando junta, dividindo mate, risada, cansaço, ansiedade e orgulho. Era o sentimento de pertencimento pulsando no mesmo compasso do bombo.
Fomos uma família GIGANTE, em todos os momentos, nas apresentações dos grupos, no convívio em alojamento, nas preparações, nas confraternizações, enfim, foi algo surreal e maravilhoso.
Estivemos representando nossa cidade Guaíba, nosso CTG Gomes Jardim, éramos os filhos da Família Dançadeira, dançando por todos e por nós, fazendo de alma leve e coração quente tudo o que fizemos. E o resultado veio!!... Novamente gravamos o nome do nosso CTG e da cidade de Guaíba, na lendária Vacaria, conquistando o 3o lugar em danças tradicionais, na categoria Veterana.
Precisamos fazer um aparte e ressaltar a representatividade do nosso Departamento Campeiro, estavam presentes no 36º Rodeio Internacional da Vacaria, representando tão bem a nossa entidade e a nossa cidade, abrilhantando a festa com sua destreza e parceria.
E quando a gente dança assim por si e pelo outro não é só coreografia. É um legado. É continuidade. É tradição viva atravessando gerações.
Temos uma invernada Veterana consolidada, que recebeu mais participantes, que uniu mais famílias e que se manteve unida do início ao fim. Temos também, uma invernada Adulta que assentou a primeira pedra basilar de um trabalho sério, sólido e que vai render muitos frutos, porque tem empenho, dedicação e seriedade, porque têm jovens comprometidos com a causa e que se dão as mãos nos momentos de alegria e de dor.
E é nesse dar as mãos que mora a verdadeira vitória. Não apenas no troféu, mas na construção de caráter, na disciplina compartilhada, no compromisso assumido com algo maior que si mesmo.
Enfim, a imagem que não sai das nossas cabeças é a foto da matéria, filhos unidos, brincando, convivendo e participando de uma egrégora de amor e união, isso é transcendência, é a essência do amor e do bem-querer permeando as almas e se fazendo verdade.
É nesses instantes que entendemos que tradição não é passado engessado, é vínculo vivo. É afeto que se organiza em forma de dança, de abraço, de cuidado.
Não vamos usar a matéria para falar de técnica, de dança, de nada que não seja FAMÍLIA, pois essa foi a marca do final de semana e essa deve ser o jargão, o símbolo de todo o CTG que busca seguir a Carta de Princípios e o Fundamento Básico criado por Paixão e Barbosa, Família deveria ser a representatividade dessa sociedade que foi criada para valorizar a vida simples do campo, os costumes e as tradições de homens e mulheres que fizeram a pingo de suor, pata de cavalo e calos nas mãos um estado pujante e altaneiro.
Porque quando a família é forte, o CTG é forte. E quando o CTG é forte, a cultura permanece. É um ciclo que se retroalimenta de pertencimento, responsabilidade e amor àquilo que nos constitui como povo.
Não sei se são assim, mas o CTG Gomes Jardim cumpre seu papel, abre os braços em abraço fraterno e recebe seus filhos como uma mãe e um pai devem receber, com afeto, respeito e carinho.
E talvez, lá da estância do céu, Don Barulho esteja faceiro. Porque enquanto houver galpão com portas abertas, crianças correndo entre as pilchas e jovens escolhendo permanecer, a família e a tradição seguirão vivas.
“Que o maior presente entre as pessoas, sejam a bondade e o amor fraterno!”
Mário Terres e Tainara Moraga
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