Sempre que chega o Setembro, a gauchada do mundo todo se agita, é um mês pra lá de especial, é onde o orgulho de uma raça aflora.
E tem gente que fala sobre esse mês com tanto orgulho, que chega a derramar lágrimas e a embargar a voz.
Orgulho, sim, porque é o mês em que se comemora a valorização da identidade do Gaúcho, o ponta pé inicial da união de um povo, que usou da sua cultura e tradição para combater pela República, pela democracia, contra os desmandos e pelo pertencimento, mas isso é tema pra outra coluna...
Junto de setembro, vem de a cabresto a Semana Farroupilha e nesse viés, tudo o que de usos e costumes nossa tradição carrega, mesclado aos modernismos e criação de moda de gente cheia de ideias.
Em relação a Semana Farroupilha, o povo se prepara, se pilcha, busca a cuia, a bomba a térmica, faz churrasco, joga truco, enfim, revive as coisas do passado que nos foram legadas com tanto carinho.
Pois é Chê, mas e as PILCHAS?
Buenas, as pilchas são um tema periclitante, existem várias pesquisas descritas em livros entre tantos apaixonados pelos aspectos sociais quanto culturais nos legaram, Paixão Cortes, Câmara Cascudo, Antônio Fagundes, os mais contemporâneos Edineia Pereira da Silva, Giovani Primieri entre tantos, porque junto a tudo o que falamos, vem na bruaca da mula do tempo os “modernismos” que pelo capitalismo, são produtos criados usando o tema da semana farroupilha e que precisam ser vendidos.
Usando as pesquisas e os dados históricos, as pilchas são basicamente:
Peão: Bombacha qualquer cor tendendo a tons escuros, menos preto e branco que são para ocasiões distintas do que temos na semana farroupilha, camisa de botão, preferencialmente de cores mais claras que a bombacha, lenço da cor que preferir, faixa na cintura, guaiaca por cima da faixa, bota ou alpargata e na cabeça uma boia ou um chapéu, isso tudo é algo que, ou foi miscigenado da Europa ou de algum outro lugar e tem registro histórico (menos a bombacha que tem uma indiada que diz que sabe muito e ficam disputando pra ver quem sabe mais sobre sua origem, não vamos cair nessa armadilha).
As prendas: Para as pequenas até os 17 anos, vestidos com características infantis, cores claras, comprimento até meia canela, sapatinhos fechados, cabelos com arranjos simples e recatados, para as prendas adultas, veteranas e xirus, vestidos mais encorpados, tapando até o peito do pé, com cabelos bem arrumados, algum ornamento, coisa que só a mulher gaúcha tem, uma soberba de berço num semblante magistral.
Bueno e se não tenho essas pilchas, mas Chê te veste do jeito que tu gosta e te mistura com a gurizada, vai tá louco de bom, porque o principal é relembrar os feitos passados que moldaram nossa estirpe e construíram nossa história.
Semana Farroupilha é muito mais que shows e entretenimentos. É data de comemorar o sentido e a razão de um povo chamado GAÚCHO!
Mas o que poucos falam e que a psicologia nos ajuda a perceber é que o vestir, o cantar, o dançar e o se reunir nos galpões também falam muito sobre a nossa identidade, sobre pertencimento e sobre saúde emocional.A Semana Farroupilha não é apenas um evento festivo. Ela representa uma oportunidade poderosa de reconexão com a nossa história, com nossos valores e com nossa comunidade. E nesse reencontro com as raízes, é essencial que o nosso comportamento acompanhe o orgulho que vestimos.
Vestir a pilcha é carregar no corpo a honra dos que vieram antes.
Participar dos festejos é expressar o amor à terra, à liberdade, à coragem e ao respeito dos valores que moldaram nossa construção gaúcha.
Por isso, é fundamental que nos espaços tradicionalistas, seja no CTGs, piquetes, galpões, desfiles etc. a gente também vista respeito: pelas diferenças, pelas regras e tradições, respeito pelas histórias de quem trilhou o caminho até aqui. E acima de tudo, respeito uns pelos outros.
O mês de comemorações, setembro, é tempo de educar pelo exemplo, especialmente para as novas gerações. Que saibamos cultivar um ambiente acolhedor, onde tradição e evolução possam caminhar juntas com leveza, consciência e responsabilidade.
Com licença, meu parceiro de coluna (Mário Terres), mas como psicóloga e mulher gaúcha, acredito que celebrar a cultura também é um ato de saúde mental: é fortalecer vínculos, exercitar o pertencimento e dar sentido à nossa trajetória.
Que setembro seja bonito não só nas pilchas, mas nas atitudes.
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