Minhas amigas e meus amigos, dando sequência em proporcionar este espaço no Repórter Guaibense para outras e outros cientistas, nessa semana convidei minha amiga Ana Amélia Petter, a quem já agradeço pelo aceite, para falar sobre um tema cada vez mais caro a todos nós: Mulheres na ciência. Está mais que na hora de refletirmos sobre esse assunto. Espero que seja uma leitura rica e reflexiva para vocês.
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Quantas cientistas você lembra de ter estudado na escola? Você lembra de alguma situação, ainda na escola, em que uma menina questionou algum conhecimento ou fala de um professor em sala de aula? Quantas vezes, você homem, já interrompeu a fala de uma mulher? Quantas vezes você lembra de ter julgado uma mulher apenas pela aparência? Quantas vezes homens te explicaram algo que você dominava? Essas perguntam nos ajudam a levantar um olhar sobre a presença de mulheres na ciência, que eu gostaria de convidar você a refletir ainda que não prometa respostas definitivas e únicas.
São pequenas atitudes do nosso dia a dia que mostram o quanto a nossa sociedade ainda é predominantemente patriarcal (mulheres não devem se portar e ter os mesmos direitos de um homem). Inclusive algumas de nós mulheres ainda contribuímos, com atitudes diárias, para a perpetuação desse sistema de opressão do feminino. E não tem problema algum nisso, pois a cultura em que estamos inseridas influencia diretamente nas nossas crenças e atitudes. O problema está em permanecer dia após dia tendo a mesma atitude e não reconhecendo que essa não é a melhor maneira de lidar com as situações.
Desde a infância as meninas são silenciadas e passam a acreditar que devem ser vistas, mas não ouvidas, como as crianças; e as escolas que deveriam ser o espaço para desenvolver as mulheres, reforçam a crença de que são inferiores e impotentes. Esse silenciamento torna as meninas inseguras das suas próprias capacidades intelectuais. Atualmente, mesmo mulheres empoderadas e independentes que reconhecem as lutas por equidade de gênero optam pelo silenciamento, algumas por medo do julgamento da sua opinião, outras por não se sentirem seguras para falar sobre o assunto em questão.
Dessa forma, fica mais fácil de percebermos a causa da ínfima participação das mulheres na ciência. Afinal, é baixa a representatividade de cientistas estudadas nas escolas, a sociedade em que estamos inseridos ainda tem uma cultura predominantemente machista, as meninas são silenciadas desde cedo, e a sociedade ainda apresenta preconceitos com meninas cientistas. Podemos notar esse preconceito e esse sistema de hierarquização que tanto comento nos brinquedos considerados “para meninas” e “para meninos”. Por que meninas devem brincar de cozinha e boneca e meninos de ser cientista e carrinhos?
Nem todas as mulheres querem casar e ter filhos e não há nada de errado nisso. Agora, também não há problema algum em uma mulher querer seguir uma carreira científica e ser mãe. O importante é que sejam diferenciadas as “vontades” das “imposições sociais” por detrás das escolhas das mulheres.
Por fim, acredito que um caminho para a equidade de gênero na ciência está na valorização do intelecto das mulheres e não apenas na sua aparência. Como diria uma personagem de um seriado que acompanho e admiro muito, Cristina Yang, “Dane-se a beleza, eu sou brilhante! Se quiser me elogiar, elogie meu cérebro!”. Aproveito esse espaço para divulgar projetos que buscam atrair as meninas para a ciência como o Meninas na Ciência da UFRGS e o Força Meninas que conta com duas premiações para projetos de meninas: “Mude o Mundo como uma menina” e “Juntas somos Força”.
Finalizo propondo que todos leitores reflitam sobre as suas atitudes e pensem: O que eu posso fazer e melhorar hoje para que a equidade de gênero exista? Por exemplo, todos podemos ler escritos de mulheres sobre ciências e outros temas; buscar produções culturais escritas, dirigidas ou produzidas por mulheres; ouça o que as mulheres dizem. E você leitora, saiba que a luta pela equidade não é fácil, então seja uma mulher resistente porque você é capaz. Nunca duvide das suas capacidades e não deixe que o medo te silencie.
Para aprofundar o processo de inferiorização das mulheres nos espaços acadêmicos, ver artigo de Laís Gedoz: Maneiras de Conhecer e Implicações para a equidade de gênero na educação em ciências.
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