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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2026

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Ciências na cultura surda e a libras

Entender e reconhecer as diferenças é preciso para melhor ensinar

Ciências na cultura surda e a libras
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Saudações amigas e amigos da coluna! O tema deste mês, garanto a vocês, é muito importante: relação da cultura surda e ciências. Por conta disso, convidei minha amiga, doutoranda na UFRGS e que não só estuda como vivencia esse tema pois também é professora intérprete de Libras, Ellen Cristine Prestes Vivian, para nos contar um pouco sobre a cultura surda em geral e qual a sua relação com a ciência. Desfrutem dessa leitura e reflitam sobre esse tema tão caro para nós.

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), 5% da população brasileira é constituída por pessoas surdas. De modo geral, as pessoas surdas enfrentam muitas barreiras no cotidiano, principalmente barreiras linguísticas, devido às diferenças na comunicação entre surdos e ouvintes. Com isso, o conhecimento da Língua Brasileira de Sinais (Libras) por todos(as) é indispensável para proporcionar acessibilidade a essas pessoas, além de ser um direito.

A libras foi reconhecida no ano de 2002, sob amparo da lei 10.436/2002 e, mais tarde, regulamentada pelo decreto 5.626/2005. Ela é a língua utilizada pelas comunidades surdas brasileiras, é a primeira língua das pessoas surdas e um instrumento natural de comunicação. Essa língua é plena, isto é, constituída de estrutura semântica e gramatical, ou seja, não é linguagem, não são gestos aleatórios, não são mímicas, não são movimentos com as mãos, é língua! Igualmente, a Libras é a marca mais evidente da cultura surda. No Art. 2º do mesmo decreto, 5.626/2005, é especificado como pessoa surda “aquela que, por ter perda auditiva compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Libras”. Então, não é surdo-mudo, não é mudo, muito menos mudinho, é surdo(a)!

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Outros importantes direitos garantidos as pessoas surdas se deu com a regulamentação da profissão do Tradutor e Intérprete de Língua de Sinais (Tils), sob amparo da lei nº 12.319/2010, para atuação principalmente nos ambientes escolares. Neste caminho, legislações mais recentes estão previstas no Plano Nacional de Educação (PNE) de 2014 a 2024, reforçadas pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI) de 2015- o Estatuto da Pessoa com Deficiência, que asseguram políticas educacionais para as pessoas surdas.

Mas o que é cultura surda? Há um jeito surdo de ser? As experiências das pessoas surdas estão alicerçadas na visualidade. Assim, o(a) surdo(a) vivencia o mundo através das representações visuais. Então, no processo de educação, o ensino-aprendizagem de estudantes surdos(as) deve privilegiar o modo como os(as) surdos(as) percebem o mundo, que é através da Libras e da visualidade.

Quanto ao processo de educação científica, como as pessoas surdas aprendem e fazem ciência? Isso é possível? Sim! As pessoas surdas possuem as mesmas capacidades cognitivas e direitos de aprendizagem que as pessoas ouvintes. Então, a surdez é uma questão de diferença, não de inferioridade. Os mitos sobre a surdez e a Libras devem ser anulados!

Como supracitado, a maior dificuldade enfrentada pelas pessoas surdas está nas barreiras linguísticas. Essas barreiras são, na maioria das vezes, impostas pela própria sociedade, que desconhece a cultura surda e a Libras. Na educação científica esse mesmo problema se repete. Como a Libras é uma língua recentemente regulamentada no Brasil, ainda precisamos ultrapassar muitas barreiras linguísticas, culturais e educacionais, principalmente na educação científica para pessoas surdas.

Ainda no contexto da educação científica, essas barreiras são geradas, na maioria dos casos, pela falta de domínio conceitual pelos Intérpretes de Libras, pelo desconhecimento da cultura surda e da Libras pelos educadores, pelo conhecimento precário de Libras pelo aprendiz surdo, bem como pela ausência de sinais para as terminologias científicas. Consequentemente, o acesso das pessoas surdas ao universo científico é fortemente atingido por essas questões, desde o início do processo de escolarização.

Para superar tantas barreiras, é preciso entender e reconhecer as diferenças, pois assim será possível ensinar, aprender e fazer ciências de modo visual e acessível, aproximando surdos(as) e ouvintes da Llbras, da cultura surda e do conhecimento científico - que é para todos(as).

FONTE/CRÉDITOS: Mª. Ellen Cristine Prestes Vivian
Comentários:
Guilherme Weihmann

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Guilherme Weihmann

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