A Semana Cultural da Escola Carlos Augusto de Moura e Cunha, na Colina, mobilizou centenas de estudantes e professores com apresentações artísticas na última quarta e quinta-feira (23 e 24). Com o tema “15 anos inspirando Cultura”, a programação celebrou a 15ª edição do evento, que já se tornou tradição no calendário escolar da comunidade.
As peças de teatro abordaram temas como energia nuclear, mulheres negras, mulheres gaúchas, previsão do tempo, preconceito e a passagem do tempo. Entre as apresentações estiveram “Tempos diferentes, os mesmos preconceitos” e “O tempo não para”, que destacou o passado, o presente e o futuro da humanidade ao som da música do cantor Cazuza.
As turmas dos anos iniciais, do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, apresentaram trabalhos inspirados no livro infantil “A menina que fala com os olhos”, que conta a história da aluna Priscila Nunes, filha do professor José Filipe de Quadros Nunes e pessoa com paralisia cerebral. A obra aborda a inclusão de crianças com paralisia cerebral no contexto escolar.
“A ideia central do livro é mostrar para as crianças como pessoas iguais à personagem são inseridas no contexto escolar, uma vez que não há verbalização por parte delas”, explicou o professor. Para ele, a chave está no olhar, uma outra forma de comunicação, diferente daquelas às quais estamos acostumados, mas fundamental para pessoas com paralisia cerebral.
Já as turmas do 3º ano do Ensino Médio emocionaram o público com a peça “O Rapto do Baú Dourado”, que teve o roteiro criado em 2024 pela professora Silvania Freitas. Para ela, a Semana Cultural é muito mais do que um projeto: é aula, aprendizado, doação, dedicação e a culminância da descoberta de muitos talentos.
“Existe um roteiro e uma ideia, mas quem dá vida são os estudantes. A emoção triplica porque consigo passar para eles não só o conhecimento e a pesquisa, de conhecer esses reis e rainhas e essa luta que a gente faz todos os dias contra o racismo estrutural, mas também trazer tudo isso para um projeto no qual eles dão a vida”, disse.
O roteiro é baseado em reis e rainhas da África que buscam justiça e igualdade, com aprofundamento filosófico inspirado na literatura africana e no conceito de Ubuntu. Ubuntu é uma filosofia de origem africana, presente em diferentes culturas e línguas bantu, como zulu e xhosa, frequentemente sintetizada pela expressão “Eu sou porque nós somos”. O conceito valoriza a cooperação, a alteridade e a vida em comunidade, em contraposição ao individualismo.
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