A comunidade do bairro Logradouro protestou nesta terça-feira (29), na Câmara de Vereadores, contra o fechamento da Escola Municipal Santa Catarina em 2027. A proposta partiu da Prefeitura de Guaíba, por meio da Secretaria Municipal de Educação, sob a justificativa de baixos índices de aprendizagem, frequência reduzida e baixo número de alunos matriculados. Atualmente, são 73 estudantes.
Segundo professores, a Secretaria Municipal de Educação teria proposto que os estudantes fossem transferidos para a Escola Municipal São Paulo, com fornecimento de transporte e participação em projetos no contraturno escolar. A distância entre as duas escolas é de aproximadamente 15 quilômetros, em estrada de chão.
O vice-diretor da escola, William Silva, destacou que a comunidade está distante do centro de Guaíba e que a instituição, que completou 65 anos de história, é uma referência para os moradores de uma região considerada em situação de vulnerabilidade social.
“Uma das ferramentas públicas que temos naquele bairro é o posto de saúde e a escola, que não é somente uma escola. Ela presta muitos outros serviços para aquela comunidade. Estamos na luta pela permanência dessa escola diferenciada, com um público diferenciado, oferecendo ensino de qualidade e tratamento com amor, carinho e olhar para aquelas crianças que passam pelos muros da escola”, disse.
William também afirmou que esteve reunido com a prefeita Claudinha Jardim nesta terça-feira para tentar reverter a proposta e manter a escola aberta. Ele ainda destacou que a escola tem enfrentado ausência e substituição de professores, o que, segundo ele, interfere diretamente nos índices de aprendizagem.
A conselheira tutelar Andréa Garcia afirmou que nunca recebeu uma Ficha de Comunicação de Aluno Infrequente (FICAI), instrumento oficial utilizado para combater a infrequência, o abandono e a evasão escolar de crianças e adolescentes. A FICAI deveria ser aberta após cinco dias consecutivos de faltas sem justificativa ou quando o estudante atingir 20% de faltas no mês.
A presidente do Sindicato dos Professores Municipais de Guaíba, Michelle Tavares, destacou que quase 30 profissionais seriam deslocados, sem definição sobre seus novos locais de trabalho, e que todos os pais teriam se posicionado contra a transferência dos estudantes. “As crianças precisam dos professores e os professores precisam dessas crianças. Para mim, isso é corte de gastos, porque existem outras escolas que têm índices baixos na nossa cidade. A comunidade não pode perder essa escola, nem os professores que querem trabalhar”, pontuou.
O presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Airton Elegância, afirmou que existe um estudo sobre o fechamento da escola e que os vereadores estão ouvindo as posições da Secretaria Municipal de Educação e da comunidade para buscar a melhor solução para a instituição.
Em nota, a Prefeitura de Guaíba afirmou que o processo de diálogo e escuta ainda está em andamento. Segundo o Executivo, até o momento foram apresentados apenas estudos e, portanto, não há uma decisão final a ser comunicada.
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