Sinto-me feliz em escrever sobre meu grande amigo São José, nos 370 anos da Congregação de São José e no Ano a ele dedicado, pelo Papa Francisco.
Considero um belo acontecimento em minha vida as coincidências de ter nascido no dia 19 de março, sob a proteção de São José; registrada no cartório por meu irmão, José; batizada pelo Pe. José, na Igreja São José, hoje catedral de Campo Mourão/PR; o seguimento a Jesus Cristo na Congregação de São José, que tanto amo e admiro, e hoje resido na Comunidade São José, com as irmãs Ângela Griselda e Nilva em Guaíba, onde a rua principal tem o nome de São José.
São José é o escolhido por Deus para ser seu representante na terra, a personificação do Pai, conforme afirma Leonardo Boff, em seu livro. Ele é o esposo de Maria e pai adotivo de Jesus. Muitas vezes isto é esquecido, deixando Maria meio que sozinha na missão de gerar o Filho de Deus, dele cuidar, acompanhar, educar, formar. Em todas estas etapas José esteve presente, como responsável pelo bem-estar de Maria e do filho Jesus, garantindo a entrada de Deus na história humana. Seu Sim e o Sim de Maria se complementam em igualdade, inaugurando novas relações entre homem e mulher, no respeito e na ajuda mútua, como casal. Os dois são responsáveis diante de Deus e da humanidade para cuidar e preservar a vida de Jesus, garantindo a salvação de todo o ser humano.
São José é também o Padroeiro da Igreja, título dado pelo Papa Pio IX, durante o Concílio Vaticano I.
Outro título especial que define São José é o de “homem Justo”. Certamente não se trata apenas de ser honesto, cumpridor de leis e realizador de atitudes coerentes. Justo significa também estar atento à ação de Deus e sua vontade que se manifesta na vida e na história das pessoas. José, o Justo foi incansável na busca do melhor para sua esposa, mãe do Filho de Deus. Deu a Maria a segurança nos momentos mais difíceis: da concepção ao nascimento de Jesus, da fuga ao retorno do Egito, da circuncisão de Jesus e, depois, aos seus 12 anos, na visita ao Templo.
A justiça de José não é simplesmente uma ação pontual, mas uma qualidade de seu caráter, de sua identidade. Neste sentido, José pode ser um referencial para nossa vivência de anúncio e denúncia, na concretização da Justiça, em defesa da vida das pessoas e da Integridade da Criação.
São José Operário, dia 1º de maio é um título dado pelo Papa Pio XII, em 1955, para recordar o confronto de operários com a polícia de Chicago, nos Estados Unidos, quando dezenas de manifestantes foram feridos e seis foram mortos. Com o Pastor Milton Shuantes descobri, que além de operário, José era agricultor e que isto se explica pelas parábolas de Jesus que fala das experiências com a terra e com a natureza: o semeador, o grão de mostarda, o grão de trigo, os lírios do campo, a videira e os ramos, a alimentação dos pássaros e tantas outras comparações. Perguntei a ele porque esta profissão de José não aparece explícita. Ele disse que, assim como hoje, a profissão de agricultor, antigamente, não era tão valorizada como a do artesão da madeira. Com isto, podemos concluir, que Deus escolheu, como seu representante na terra, um leigo trabalhador do campo e da cidade. Um trabalhador autônomo, que não dependia de chefes de empresa, nem de patrão. E Jesus foi seu aprendiz e auxiliar por diversos anos, no cultivo da terra e na carpintaria.
Não temos informações sobre a morte de José, mas os evangelhos não o apresentam na vida pública de Jesus. E a Igreja lhe atribui o título de Protetor da Boa Morte, porque Maria e Jesus estavam do seu lado, quando passou para o outro lado da vida, na eternidade.
São José é também o homem dos sonhos concretizados na realidade. Ele entendeu através do sonho, o que aconteceu em Maria grávida e por isso a acolheu. Ele é um modelo de decisão e de coerência, de força de vontade, de auto renúncia. Este José dos sonhos, não tem muito a ver com aquela figura de idoso que segura uma criança nos braços, mas sim a de um jovem capaz de se aventurar no risco de assumir atitudes de fé, diante do desconhecido. Alegra-me ver tantas novas imagens de José que estão surgindo atualmente e sobretudo em companhia de Maria. Pois, excluir Maria da companhia de José é considerá-la mãe solteira ou ignorar os laços familiares, hoje tão deturpados pelas reportagens de família de casais homo afetivos. Poderão ser aceitas novas realidades, mas a essência baseada na Palavra de Deus permanece.
Por ser reconhecido hoje como leigo “qualificado”, em sua missão histórica e bíblica, São José é cada vez mais imitado, invocado e venerado de diferentes formas. Isto nos desafia a torná-lo mais conhecido e amado. Em nossa vivência de homens e mulheres, podemos ser um pouco de José e um pouco de Maria.
Vamos conhecer melhor este casal, vivenciando a 27ª Romaria das Capelinhas. De 16 a 22 de outubro, teremos 7 noites de Live, às 20h. Dia 23 de outubro, às 7h 30min. Chimarreando com Deus e às 10h 30min. Missa. Tudo online pelo Face da Romaria e pela Rádio Aliança. Às 13h 30min, carreata saindo das vilas: São Jorge, COHAB e São Francisco, culminando na beira do Guaíba, com bênção dos carros e dos romeiros.
Ir. Laura Gavazzoni
Congregação das Irmãs de São José - Guaíba
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