A implementação de Guarda Municipal em Guaíba foi tema de audiência pública nesta quinta-feira (22) na Câmara de Vereadores. A pauta é defendida principalmente por vigilantes patrimoniais que procuram que a categoria seja transformada em um órgão de segurança pública.
Já instalada em outras cidades do Rio Grande do Sul e do Brasil, a Guarda tem um papel estratégico no campo do patrulhamento preventivo e comunitário, com visibilidade institucional positiva nas cidades, foco na prevenção das violências, na mediação de conflitos e na promoção dos direitos da cidadania em nível local.
O encontro contou com representantes dessas instituições de Bagé, Novo Hamburgo, São Leopoldo e Gravataí.
O presidente da Associação dos Guardas Municipais do RS (AGMURS), Robson Ferraz, explicou que a Guarda funciona em 24 horas, com atendimento telefônico 173, e atua desde a prevenção primária, do cuidar do descarte do lixo e até na busca da redução dos índices de violência. Ele complementa que a segurança pública é realizada por variados atores, e que para haver uma Guarda bem estruturada e treinada precisa de uma boa vontade de poder público.
Para Eduardo Pazinato, professor universitário em Segurança Pública e ex-secretário de Segurança e Cidadania de Canoas, a cidade que investe em segurança pública é uma cidade mais segura, que atrai o desenvolvimento social, econômico e também humano.
- É muito importante entender o porque criar a Guarda, que está totalmente relacionada ao compromisso do município para uma cidade mais segura, bem desenvolvida e que busca a redução e prevenção dos crimes. Ela é cuidadora da cidade, que induz o monitoramento da gestão integrada com as demais polícias e tem o papel estratégico para o presente e o futuro - disse.
Os convidados abordaram ainda sobre o uso de armas de fogo por parte dos agentes de segurança e os critérios para contratação desses profissionais, como na exigência de qualificação, exames físicos e psicológicos. "Não é dar ao guarda uma pistola calibre 12, ir para rua e utilizar o nome do município com uma arma de fogo. Não. Existe toda uma testagem, uma qualificação anual. Não é algo tão simples como pensam, é necessário instrutor de tiro credenciado, teste psicológico e registro na Polícia Federal. É algo muito bem feito, bem treinado e bem preparado.", explicou o coordenador de Guarda Municipal de Bagé, Marcos Kolsch.
Representante dos vigilantes patrimoniais de Guaíba, Marcos Silva citou sobre o reaproveitamento do quadro na Guarda Municipal, que dentro da categora há colegas com nível superior e aptos para melhorar a segurança pública. "Não dá pra aceitar mais aquela história que o guardinha não tem capacidade. As vezes fico triste em debater isto. O que estamos oferecendo para Guaíba e para esta categoria tão sofrida com má condições é que seja estruturada uma carreira, no qual a constituição permite funções assimiladas", pontuou.
O que diz o Sindicato dos Servidores Municipais de Guaíba
O presidente do SindiGuaíba, Edyo Campus, disse que a cidade ainda não tem estrutura suficiente para a instalação da Guarda Municipal e que há servidores que não tem condições psicológicos para exercer suas funções. Ele citou que o próprio governo diz que não é o momento adequado por te conhecimento dos problemas enfrentados com servidores da vigilância municipal. "A Guarda vai ter que acontecer, mas vai ter que acontecer com muita eficácia nos seus projetos".
O que diz a União das Associações de Moradores de Guaíba (UAMG)
A vice-presidente da UAMG, Aline Stolz, defendeu que o concurso para agentes da Guarda Municipal deverá ser sério, com regras e planos carreiras, preservando todos os candidatos aos cargos públicos. Para ela, o projeto apresentado no momento causa danos financeiros aos cofres públicos e que, independente do curso para vigilantes, deve haver um concurso interno e treinamento adequado.
O que diz a prefeitura
Representante da prefeitura disse que tem, sim, o objetivo de criar uma segurança municipal mais eficaz, mas dentro do tempo suficiente para a implementação.
Comentários: