Guaíba registrou 38 novos casos de HIV em 2023 (até novembro). 841 pessoas soropositivas fazem atendimentos nos Serviços Ambulatoriais Especializados (SAE), sendo 433 homens e 408 mulheres,
Infelizmente, em sexto lugar nas taxas de novos casos e em primeiro no ranking da mortalidade, o Rio Grande do Sul é um dos estados que chama a atenção pelos índices. A infecção pelo HIV e a aids ainda são problemas de saúde pública no país. Comparando os anos de 2020 e 2022, o número de casos de infecção pelo HIV aumentou 17,2% no Brasil. No RS, esse aumento no período foi de 3%, passando de 2.836 casos notificados para 2.920 ano passado.
Guaíba registou 18 casos de Aids em 2023, o menor número desde 2011 conforme o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). O HIV é o vírus causador da Aids. A infecção pode ser assintomática ou apresentar sintomas como cansaço, emagrecimento intenso e repentino e diarreia constante. Quando não tratada, pode se tornar mais grave e propiciar o desenvolvimento da Aids e de outras doenças relacionadas à imunossupressão - comprometimento do sistema imunológico. Nessa fase são frequentes enfermidades oportunistas, como infecções pulmonares, pneumonia e tuberculose em outros órgãos que não apenas o pulmão.
O infectologista Dr. Josias Oliveira Aragão explica que um dos motivos da confusão dos termos é a memória da imagem de pessoas com HIV extremamente debilitadas pela Aids nas décadas de 1980 e 1990. “O preconceito e a desinformação podem ofuscar o sucesso dos medicamentos usados atualmente. A pessoa com HIV não necessariamente desenvolve a Aids. Hoje os remédios podem diminuir a quantidade do vírus no sangue até ser indetectável e impedir a transmissão pelo contato sexual”, esclarece.
A SAE Guaíba realizou na última sexta-feira (1º) o evento alusivo a campanha da conscientização e combate contra a Aids, no auditório da Prefeitura. A programação contou com palestras sobre vivendo com HIV, os impactos do disgnóstico, perda de seguimento, tratamentos disponíveis no SAE e medicamento fornecidos nos postos de saúde para portadores de doenças sexualmente transmissíveis.
A farmacêutica Jéssica Nazário reforçou a importância do teste rápido de HIV disponível em todos os postos de saúde da cidade, gratuitamente, de segunda a sexta-feira das 8h às 17h. "Temos uma unidade dispensadora de medicamentos para o tratamento de pessoas com HIV, sendo 100% gratuito, e qualquer pessoa pode procurar o SAE para saber mais um pouquinho sobre o HIV", disse.
O uso de preservativos e a testagem frequente são, ainda, as formas mais eficazes de prevenção dessa e outras ISTs, mas há, também, medicações que são aliadas nessa batalha contra o vírus. A médica Marina Dias Souza, infectologista na rede Kora Saúde, comenta que a Prep (Profilaxia Pré Exposição) é mais uma estratégia de prevenção ao vírus do HIV.
“O tratamento consiste no uso de antirretrovirais para previnir/reduzir o risco de adquirir a infecção pelo HIV e é aplicado em populações com maior exposição ao vírus. O uso da medicação é contínuo e diário e o SUS fornece gratuitamente tanto a Prep quanto o suporte, com consultas periódicas e acompanhamento regular. A eficácia referida em estudos mais recentes chega a 44%”, conta.
A Prep consiste no uso de dois antirretrovirais, formulados em um único comprimido. A especialista explica que, como qualquer medicação, há o risco de efeitos colaterais, mas geralmente eles são leves, como náusea e diarreia no início do uso, e tentem a desaparecer com o passar do tempo. Porém, em casos mais raros, pode ocorrer toxicidade renal e hepática.
Marina reforça que o uso da Prep não substitui o da camisinha, pois a Prep auxilia na prevenção de do HIV mas não tem efeito para prevenir outras ISTs. “A camisinha é uma das formas mais segura e simples para prevenção de ISTs e é preciso que se sejam vencidas as barreiras culturais e de informação para que, cada vez mais, os preservativos sejam vistos como um item indispensável na vida das pessoas que possuem vida sexual ativa”, finaliza.
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