O Projeto Recomeçar RS, iniciativa voltada à promoção da saúde mental de pessoas afetadas pelas enchentes de 2024, realizará uma visita de triagem em Guaíba no dia 29 de agosto, às 9h, na sede do Rotary Club de Guaíba (rua 14 de Outubro, 302, no Centro). A ação conta com o apoio do Rotary e, nesta primeira etapa, será destinada aos moradores atingidos dos bairros Centro, Engenho, Alvorada e Florida. O projeto oferece mapeamento da população afetada, orientações sobre cuidados em saúde mental e até sete encontros gratuitos, conforme a avaliação de cada participante.
Podem participar pessoas a partir de 16 anos que foram afetadas pelas enchentes, com atendimento gratuito e possibilidade de participação on-line. As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas pelo formulário disponível (neste link). Em uma segunda etapa, em outra data e local, o projeto também atenderá moradores atingidos dos bairros Cohab, Santa Rita e Ipê. As informações sobre a nova ação serão divulgadas posteriormente.
O hospital, sediado em Porto Alegre, contou com a sua própria experiência na linha de frente – dando suporte aos colaboradores, seus familiares e às comunidades atingidas pelas cheias – para criar o programa. A iniciativa adota o protocolo Enfrentando Problemas+ (EP+), desenvolvido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), uma intervenção psicológica baseada em técnicas validadas internacionalmente para pessoas expostas a situações adversas. A abordagem consiste em até sete encontros que oferecem ferramentas práticas para o manejo do estresse, dos problemas do dia a dia e para a melhoria do bem-estar. "Trata-se de um cuidado que vai além da perda material. Nosso objetivo é reduzir os impactos na saúde mental associados a essa experiência, que podem persistir por anos", explica Regis Goulart Rosa, médico intensivista e chefe do Serviço de Medicina Interna do Hospital Moinhos de Vento.
O processo de participação envolve três etapas: pré-triagem online através de formulário de interesse, triagem para avaliação de sintomas de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático, e programa de apoio psicológico para aqueles que se encaixarem nos critérios estabelecidos. As pessoas que não forem selecionadas para o programa receberão um material de apoio com orientações e serviços disponíveis para cuidados em saúde mental. De acordo com Geraldine Trott, líder operacional da iniciativa, “a equipe do projeto é multidisciplinar, composta por profissionais qualificados e capacitados em saúde mental, com supervisão de psicólogos e psiquiatras.”
“O protocolo consiste em uma intervenção psicológica de baixa intensidade que oferece ferramentas práticas que empoderam o indivíduo para lidar com o estresse e o sofrimento emocional de maneira mais saudável. Trata-se de uma oportunidade única para desenvolver e adaptar estratégias eficazes de cuidado em saúde mental no Brasil", destaca Christian Kieling, psiquiatra do Hospital Moinhos de Vento e um dos profissionais envolvidos no projeto. Para Admilson Reis, superintendente de Responsabilidade e Gestão de Riscos do Hospital Moinhos de Vento, que apresentou o projeto na COP30 – painel sobre saúde, resiliência e justiça climática –, a relevância da iniciativa se justifica pelo fato de que “catástrofes naturais podem gerar impactos psicológicos que perduram por até uma década, afetando significativamente a qualidade de vida das pessoas”.
As enchentes de 2024 trouxeram à tona a urgência de cuidar da saúde mental em larga escala. Por isso, “mais que uma resposta emergencial, o Recomeçar oferece um modelo estruturado de enfrentamento psicológico para situações de desastres climáticos que pode até apoiar futuras políticas públicas na saúde pública”, afirma Mohamed Parrini, CEO do Hospital Moinhos de Vento. Com duração prevista até dezembro de 2026, a iniciativa também será palco de um estudo sobre os resultados do programa, a fim de contribuir com dados científicos para o preparo do sistema de saúde brasileiro diante de cenários climáticos extremos.
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