O Rio Grande do Sul entra na nona semana consecutiva com bandeira preta no Distanciamento Controlado. O mapa da 51ª rodada, com as 21 regiões Covid classificadas no nível mais alto de risco, foi divulgado nesta sexta-feira (23/4) e tem vigência até 3 de maio. Como todas as regiões estão em cogestão, podem ser adotados protocolos até o nível de bandeira vermelha.
Nesta rodada, houve melhora, na média estadual, no número de internados por Covid-19 em leitos clínicos (-12%) e em UTIs (-10%). O número de registros de óbitos reduziu 24% em relação à semana passada.
A região de Guaíba, que abrange 19 cidades da Costa Doce e Carbonífera, apresentou melhora nos indicadores. A taxa de morte por decorrência da doença caiu quase 50% em uma semana, e a média de internados em UTI também baixou, de 56 para 50 (-10%).
Mesmo esses dados positivos, todo o RS ficou na bandeira preta devido à trava de segurança do modelo que coloca as regiões nessa cor mesmo que alguma tenha ficado com a média mais baixa. A salvaguarda da bandeira preta é acionada quando a relação entre leitos de UTI livres e ocupados por pacientes de covid-19 baixa de 0,35. Nesta rodada, o índice ficou em 0,25.
Guaíba
Quanto aos seus quatro indicadores, a região de Guaíba obteve as seguintes bandeiras: indicador de incidência (número de hospitalizações por Covid-19 para cada 100 mil habitantes) a bandeira foi preta; no de projeção de óbitos também preta; quanto à velocidade de avanço (hospitalizações confirmadas) foi vermelha; e com relação ao estágio da evolução na região (ativos/recuperados) a bandeira foi amarela.
O número de novos registros de hospitalizações por covid-19, nos últimos 7 dias, comparado com a semana anterior, apresentou um aumento de 24.4% (45 para 56). Quanto ao número de óbitos, no mesmo período, houve uma queda de 48.8% (41 para 21). O de internados em UTI por SRAG apresentou também uma redução (60 para 56).
No caso do número de internados em leitos clínicos para covid-19, entre as duas semanas verifica-se um aumento de 24,3%, (37 para 46). De internados em UTI confirmadas para doença, a situação foi de uma queda de 10,7% (de 56 para 50). O número de casos ativos observados na penúltima semana, comparado à anterior, teve queda de 13.5% (986 para 853).
Com relação ao número de leitos de UTI livres para atender covid-19 no último dia, o quantitativo apresentou um aumento de 66,7% (6 para 10). Destaca-se que a quantidade de novas hospitalizações em proporção da população é bastante
elevada, refletindo na bandeira preta para o indicador de incidência na região.
Para Leite, embora a situação esteja melhorando, não está confortável
Ao detalhar nesta sexta (23) o decreto que permite a cogestão também para a educação e, consequentemente, a retomada das aulas presenciais nos anos iniciais, o governador Eduardo Leite falou sobre a situação:
“É importante que a população entenda que o risco ainda é alto, especialmente em função do quadro de ocupação hospitalar. Os leitos de UTI SUS estão com 82% de ocupação e os leitos privados, mais de 95%. Ainda é um indicador alto e, por isso, as pessoas precisam ajudar cumprindo protocolos, denunciando casos de aglomerações e descumprimento de regras pelo disque-denúncia. Por isso mantivemos a trava de segurança com o RS em bandeira preta, para que entendam que embora a situação esteja melhorando, não está confortável”, afirmou Leite em transmissão ao vivo pela internet.
Com uma média de ocupação de leitos de UTI de 85,5%, o Estado tem 2.010 pacientes suspeitos e confirmados com Covid-19 em unidades de terapia intensiva. Em 9 de fevereiro, havia 961 internados. O número atual, portanto, ainda é mais que o dobro do que foi registrado no atual pico da pandemia. Para comportar o aumento, ao longo do período de maior pressão do sistema hospitalar houve tanto expansão, com mais 713 leitos, quanto redução, de cerca de 200 pacientes não-Covid.
O mapa divulgado nesta sexta (23) já é definitivo, sem possibilidade de envio de pedidos de reconsideração, devido à gravidade do cenário. Também segue suspensa a Regra 0-0, a partir da qual municípios sem registro de óbito ou hospitalização de moradores nos últimos 14 dias poderiam adotar protocolos de bandeira imediatamente inferior. A cogestão regional, por sua vez, está permitida.
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