A dupla de compositores guaibenses Guilherme Bica e Rafael Sonic lançou, no final de julho, o EP “Caminhar”, conjunto de canções autorais que, segundo eles, “trata das diferentes camadas e relações que estabelecemos com o tempo”.
"O álbum tem a atmosfera de uma época que parece ter sido engolida pelo tempo dos celulares: pessoas que cresceram na rua, jogando bola, brincando de esconde-esconde ou de bolita, enfim, jogos e brincadeiras criativas, ativas, sugestivas. As canções têm o 'tempo' como uma temática que a gente quer fazer presente em toda a concepção. A gente foca, de certa forma, numa atmosfera que mistura essa outra época, que nem é tão distante assim, e que está ali, guardada nos armários, nas gavetas, na memória de muita gente, com o tempo de hoje, quando parecemos sempre presos a algo: casa, celulares, computadores ", explica Sonic.
O disco possui sete músicas, todas elas parcerias de Bica e Sonic (que também integram o grupo Pequena Serenata) em arranjos minimalistas, marcados por vozes, violões, escaleta, piano e percussões, tudo registrado no estúdio do próprio Sonic, que assina a produção.
“Visitar o tempo”, que abre o álbum, pesa âncoras do passado e ansiedades de futuro, para enfim encontrar um caminho nos amores e vivências do presente. “As coisas boas dessa vida”, um “bolero solar”, já é uma espécie de canção de auto-ajuda: alerta sobre e celebra as impermanências da vida. “Beco”, talvez a mais roqueira do disco, assume nostalgias dos tempos de guri e é um manual para guardar saudades. “O trem do fim”, a quarta canção, como uma terceira margem, na exata metade do álbum, tem ares mais graves e densos, conversa com os temores da pandemia e outros tempos e espaços de despedida, cantando aqueles que ficamos e seguimos, mas também lembrando quem partiu e nos falta. “Aquarela” examina a infância e a juventude, desde a meia idade, com afeto, gratidão, mas certo espanto. “Morena” é o único som que canta o tempo do amor, das suas saudades e expectativas de reencontro. Por fim, “Quem mudará” é uma canção-testamento: ensaio sobre as finitudes que nos esperam no amanhã, ainda que a partida projetada tenha em si todos os festejos do que foi vivido.
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"Quando começamos a trabalhar essas canções, vimos que havia uma unidade temática. Todas, de algum modo, tratavam do tempo, essa substância impalpável e invisível, mas que governa nossa existência. A infância, a juventude, as saudades, as ausências, os amores, as ansiedades, aqueles que fomos, somos e seremos, tudo isso é medido e implacavelmente impactado pelo tempo. Se há tensão e certa impotência nessa relação, pelo menos tentamos extrair alguma poesia", comenta Guilherme.
“Caminhar” já pode ser ouvido nas principais plataformas de streaming (YouTube, Spotify, Apple Music e Deezer). A intenção da dupla é, em breve, realizar apresentações para tocar o disco ao vivo e na íntegra.
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