Eliane Ribeiro esteve na sessão da Câmara de Vereadores, nesta terça-feira (27), esclarecendo sobre seu trabalho à frente da secretaria de Saúde. Ela assumiu o posto há quase 60 dias e, diariamente, trabalha junto à administração do Hospital Nelson Cornetet, postos de saúde e nas ações de combate à pandemia do coronavírus.
"É um aprendizado, aliás ninguém está preparado para esta pandemia e para o que a gente está enfrentando e vamos enfrentar. Não sabemos o que vem pela frente, mas temos que der certeza que estamos no pé no chão e querendo fazer o melhor. As pessoas que estão lá entendem muito, me ajudam muito. Se eu estou preparada, eu vivo um dia de cada vez, e tenho certeza que quando deito minha cabeça no travesseiro eu digo: hoje eu dei o meu melhor, e vai ser assim sempre. Mas não tá fácil, não tá fácil mesmo", disse.
Ela respondeu perguntas dos parlamentares referentes a campanha de vacinação da covid-19, os atendimentos no pronto-atendimento e Hospital Nelson Cornetet, a falta de traumatologistas na unidade de saúde e ainda sobre a polêmica que envolveu três técnicas de enfermagem.
Eliane assumiu a liderança da pasta no início de março, antes, desde a posse de Marcelo Maranata, estava sendo comandada pelo próprio prefeito e o servidor de carreira e atual diretor de Saúde Josias da Conceição, que também estava prestando esclarecimentos nesta terça-feira na Câmara.
De acordo com ele, a secretaria de Saúde estava ciente do crescimento e agravamento de casos de covid-19 no início de marco, quando estourou a conhecida segunda onda por adventos da variante p1, e quando a cidade teve que "fechar tudo".
"Nós enquanto Secretaria de Saúde temos que nos preocupar com saúde, com vidas. E passamos o mês de março como um dos piores meses, aquilo que prevíamos que iria passar em março e abril do ano passado aconteceu em março em Guaíba e em todo Brasil. Essa falsa sensação de segurança é o que faz que as pessoas se contaminem e procure nosso sistema de saúde. Quase colapsamos", relatou.
Ele ainda destacou que todas as férias dos funcionários teve que ser suspensas, todos médicos e especialistas continuaram os atendimentos nos postos de saúde para dar suporte ao hospital. "Desde março do ano passado a Saúde não parou um dia", concluiu.
Veja 10 perguntas que a secretária de saúde respondeu aos parlamentares:
1- O que foi realizado por parte da Secretaria Municipal de Saúde sobre polêmica envolvendo três técnicas de enfermagem no Hospital Nelson Cornetet?
Eliane- Na mesma hora, quando fiquei sabendo das postagens, reportei ao administrador da Associação Vila Nova e disse que queria a retirada imediata destas funcionárias. Fizemos dois ofícios solicitando o nome completo delas e que me oficializasse o que tinha sido feito por parte da mantenedora. Uma foi advertida por somente aparecer na fotografia, uma desligada com antecipação do encerramento do contrato e a outra demitida por justa causa, mas também pedimos os nomes dessas pessoas para serem denunciadas no Conselho Regional de Enfermagem (COREN).
2- Há possibilidade de flexibilizar a vacinação para aqueles idosos para receber a segunda imunização sem enfrentar filas nas madrugadas?
Eliane - A gente quer deixar bem claro que a segunda dose, até hoje, são as que são feitas a dose 1. Por exemplo: se hoje foram disponibilizadas 800 doses é que naquele dia foram aplicadas a primeira dose.
Não precisa posar em fila, não precisa pegar senha. Ainda disponibilizamos o horário das 9h às 15h para que as pessoas não precisem enfrentar filas. Não tem necessidade de madrugar, chega às 11h e temos doses sobrando.
Claro, vocês já ouviram que o Instituto Butantan parou de fabricar a Coronavac, que deve voltar a ser entregue somente na próxima segunda-feira. Não temos esta vacina mais, mas vai ter. O quantitativo de doses que vem é proporcional ao número de pessoas daquela faixa etária de acordo com o IBGE.
3- Seria importante se tivesse um médico plantonista na enfermaria dos atendimentos à pacientes com covid-19. Vai ser contratado, e quando?
Eliane- Todos entendem que temos um contrato com o Vila Nova que é a parte clínica. A emergência COVID a enfermaria COVID e a UTI é um contrato do Estado. Hoje o contrato do Estado é um plantão de 12 horas, mas não é um contrato nosso. Para que a gente possa contratar nós temos que ter um aditivo. A dificuldade hoje é na contratação de médicos, de encontrar os médicos.
4 - Nós sabemos que irão faltar doses no Estado. A secretaria de Saúde tem esse levantamento de quantas doses irão faltar na cidade?
Eliane - Até esta quinta-feira (29) teremos todas as segundas doses. Coronavac não temos. Não queremos que a população entre em pânico porque na medida que chegar montaremos uma estratégia para que a gente consiga fazer a segunda dose em seguida. Não posso dizer quando vai chegar porque dependemos do laboratório.
Temos que deixar bem claro que seguimos orientações do Ministério da Saúde e do governo federal de distribuir todas as doses que chegarem. Não foi porque Guaíba não guardou as doses. Isto está acontecendo em todos os municípios.
5 - Quem é o fiscal do contrato da Secretaria Municipal de Saúde com a associação Vila Nova?
Eliane - Quem fiscaliza é a CAFÉ, que é um órgão fiscalizador de contratos. Esse contrato emergencial com o Vila Nova iria até 21 de agosto, mas agora em maio estávamos fazendo um termo de referência para abrir uma licitação para a próxima entidade que irá assumir o Hospital Nelson Cornetet.
O que eu sei é que vou lá todos os dias, às 7 horas, para ver quantos médicos estão em plantão, quantos já chegaram, qual está na lista e qual que tem que vir. É um trabalho árduo, mas alguém tem que fiscalizar. Não seria eu, mas me sinto enquanto gestora me sinto o dever de fazer isto para dar uma resposta para a população. Enquanto governo, nosso objetivo principal é humanizar a cidade, a saúde, a educação e tratar com humanidade toda e qualquer pessoa.
6 - Os técnicos de enfermagem vacinadores, que trabalham até no final de semana, recebem por horas extras?
Eliane - Sim, todos que trabalham fora de seus horários de expediente. Até adoram quando estiverem nos domingos e feriados por receberem 100%. E acho muito justo, por trabalharem com amor e dedicação.
7 - Você assumiu o cargo de secretária em março, sendo que o prefeito ficou comandando as pastas desde 1º de janeiro. Neste período, como foi a transição? Você tinha ciência do que a gente estava passando? E hoje você se sente preparada?
Eliane - Quando o Marcelo e Claudinha me convidaram para esta missão, no momento procurei minha família, e aqueles que me apoiaram, e disseram: Eliane, você sabe fazer gestão de pessoas. Elas precisam ter acolhimento, olho no olho, humanidade. Realmente sabia como estava a situação, mas quando Marcelo me procurou disse que ele mesmo estaria comigo. E ele nunca me abandonou, faz um plantão na Secretaria duas vezes na semana. É um aprendizado, ninguém está preparado para esta pandemia e o que a gente está enfrentando e vamos enfrentar. Não sabemos o que vem pela frente, mas estamos de pé no chão e queremos fazer o melhor. Não tá fácil, não tá fácil mesmo.
8 - Na sua opinião, é necessário a contratação do terceiro médico clínico? A senhora vai fazer esse aditivo? E se vai ter traumatologista no pronto atendimento neste contrato?
Eliane - No contrato há traumatologista mas eles [Associação Vila Nova] não conseguiram, não contrataram ainda por não encontrarem esse especialista. Não vejo necessidade agora de um terceiro médico, mas, se reunindo com a equipe técnica, se houver necessidade lógico que vamos chamar.
9 - Há algumas horas de ficar sem médico plantonista no Hospital Nelson Cornetet? Você tem conhecimento de casos de pacientes que vieram a falecer no momento que não havia médico plantonista para atendimento imediato em algumas dessas estruturas do pronto atendimento e do hospital Nelson Cornetet?
Eliane - As trocas de plantões ocorrem às 7h e às 19h. Várias vezes não acontece de o profissional não estar lá. Mas acontece sim de não ter médico nessas horas, mas eu não posso cobrar dele e sim do administrador e do doutor Dalmolin (Diretor da Associação Vila Nova). Já cobrei até do Estado, das pessoas responsáveis por esse contrato. A UTI sempre tem um médico, dois estão revezando.
10 - Quais são os dados depois do lockdown? Serviu, salvou vidas?
Eliane - Hoje estamos no patamar de 30 e 40 casos diários, não chegamos aos números de janeiro onde queríamos estar. Mas, depois do lockdown, a cada dia vem baixando. Deu uma grande melhora sim, para nós aliviou um pouco. Hoje, para terem uma ideia, tem seis na internação COVID, 10 á 12 na internação clínica e na UTI tem 9.
Parece que dá sensação que está tudo bem, que podemos andar nas ruas sem máscaras, aglomerar nos bares e nas áreas verdes. Isto nos assusta, não podemos passar para comunidade que está tudo bem. Ainda estamos em uma pandemia. Que bom que reduziu, mas tem que continuar reduzindo.
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