O Instituto Estadual Carlos Augusto de Moura e Cunha promoveu entre a terça-feira e quinta-feira (8 e 10) a 14ª Semana Cultural, desenvolvida pelos professores com os alunos em consonância com o projeto político pedagógico da escola situada no bairro Moradas da Colina, em Guaíba.
"A Semana Cultural envolve todas essas questões que se falam de uma educação voltada para cidadania, uma educação crítica, contextualizada com a realidade, então é uma momento de diálogo entre os alunos, professores, pais e comunidade que transforma a escola em uma escola viva. A ideia é dar protagonismo à juventude, para que eles sejam cidadãos ativos, independentes e críticos na sociedade", conta o diretor Cristiano Viana.
A escola também ficou aberta para professores e estudantes de outras escolas de Guaíba, Eldorado do Sul e Camaquã. Para Viana, "isto permite que a escola não fique isolada do seu próprio mundo, porque uma escola pública não deve estar fechada apenas para sua realidade escolar, ela tem que abranger, conversar e interagir com as demais".

A partir do tema deste ano "Moruca de todas as artes", todas as disciplinas escolares desenvolveram e trabalharam atividades para apresentarem aos espectadores. Por exemplo, sobre a arte circense, representação e gênero no universo dos games e séries, a sustentabilidade, a cultura gaúcha, os mitos e as sensações do medo e arte de rua.
A peça teatral "a arte está na rua" refletiu desde a arte dos deuses da mitologia grega, a censura da arte durante o período da Ditadura Militar no Brasil até o crescimento da arte urbana, como a arte em grafite, o hip-hop e as batalhas de rima.

"Que seja uma retomada de nós abraçar juntos a causa da educação. Educar, sonhar, valorizar, trazer de volta a leitura, trazer de volta o sonho, a criança, a arte e a literatura"
Professora Silvania Freitas.
Conforme a professora Silmara Harlacher, o objetivo consistiu em trabalhar a valorização do grafite, o ensinamento que há uma legislação vigente no Brasil que autoriza a arte em grafite nas vias públicas, e a parte de todas as diversidades que tem a arte urbana, principalmente valorizando o trabalho da mulher e do povo negro.
"Nós queríamos falar um pouco de cada coisa para mostrar que a gente pode e deve respeitar esse tipo de arte", disse.
A peça "Uma mistura inusitada entre o mundo real e o mundo literário - uma aventura com Kafna, a menina e a boneca viajante" foi criada com base na obra do escritor espanhol Jordi Sierra, e outras seis foram inseridas no texto: Dom Quixote de La Mancha, O Mágico de Óz, A Viagem ao Centro da Terra, Romeu e Julieta, As Crônicas de Nárnia e a Volta ao Mundo em 80 dias.
"Como professora de literatura, a minha luta é despertar este gosto pelo livro nesses estudantes e, desta vez, acredito que atingi o meu objetivo maior e plantei essa semente de fato. Depois da pandemia e de toda a falta e ausência que tivemos neste período, acho que estamos num momento de renovação e de retomada ao sentimento real da escola, o protagonismo do aluno, em ele se se sentir pertencente. Nós não tínhamos até então elaborado esse sentimento de retomada, então acho que agora sim, agora foi, conseguimos", disse a professora Silvania Freitas. "Estamos começando como se fosse do zero. A Semana Cultural e outros projetos da escola, quanto ao educador e quanto ao educando, está trazendo a proposta da renovação mesmo. Renovar, retomar do zero. Que seja uma retomada de nós abraçar juntos a causa da educação. Educar, sonhar, valorizar, trazer de volta a leitura, trazer de volta o sonho, a criança, a arte e a literatura", concluiu.
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