A escola estadual Augusto Meyer, de Guaíba, promoveu a Semana dos Direitos Humanos entre a segunda e sexta-feira da semana passada. O tema deste ano foi os 35 anos da Constituição Federal do Brasil.
A Semana dos Direitos Humanos é um evento da área das ciências humanas da escola que tem como propósito abordar temas sensíveis, polêmicos e que fazem parte da sociedade brasileira. A programação contou com diversas palestras e apresentações de estudantes dos mais diversos assuntos, como intolerância religiosa no cotidiano, violência contra mulher, o sistema penitenciário, casamento homoafetivo e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
"Os temas fazem nós abrir reflexões, porque a gente acredita que a função da escola é ter uma possibilidade de reflexão e abertura de pluralidade de questões que estão dentro da sociedade. Temos a proposta de trazer a cultura da paz e ao mesmo tempo não esconder os problemas reais que existem. Então os estudantes acabam apresentando temas que de certa forma a gente orienta para conduzir dentro da perspectiva do respeito a diversidade e a dignidade humana", diz o professor de história Bruno Azambuja.
O estudante transexual Eduardo Silveira Machado, 16 anos, assinou o roteiro da peça teatral "os direitos transexuais". Há 13 anos no topo da lista, apesar de ser crime desde 2019, o Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas trans no mundo.
"Trabalhar esse tema dentro de uma instituição de ensino é muito importante porque é uma realidade que ninguém vê, que ninguém sente na pele. Eu já sofri muito na minha casa, na rua e em todos os lugares possíveis e quando montei esse roteiro quis trazer a transfobia que a gente sofre todos os dias. Claro que com o teatro não vou conseguir trazer a realidade das pessoas trans, mas pelo menos dar uma ideia como é a nossa realidade diariamente", afirma.

O evento ainda contou com apresentação do jurí simulado da Boate Kiss, promovido pelos acadêmicos do curso de Direito da Ulbra, e palestra com o grupo Mães pela Diversidade sobre a realidade de familiares de pessoas LGBTQIA+. "Nossa área de ciências humanas tem essa finalidade de uma educação conteudista, mas também de formar valores. A gente acredita que valorizar a democracia, a cidadania e o bem comum faz parte de um projeto pedagógico", conclui Azambuja.
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