Moradores se impressionaram, nesta quinta-feira (3), com o baixo nível do Lago Guaíba através do valão da Avenida Perimetral, no Engenho. Em contato com a reportagem, a engenheira hidróloga da sala de situação da Secretaria Estadual de Meio Ambiente Marcela Nectoux destaca que a situação é de alerta.
Ela explica que o principal motivo é a estiagem, configurada desde novembro, e que é uma repetição do que ocorreu ainda no verão passado:
- Tivemos um período muito longo de estiagem, que foi até meados de junho com rios e bacias do Estado com situação de baixa disponibilidade. Depois tivemos uma pequena recuperação que não foi suficiente para a recarga hídrica, e agora novamente estamos em situação de estiagem. Isto faz com que os rios abaixem mais ainda do que a primeira condição de estiagem.
A Bacia do Lago Guaíba não é diferente. Ela ainda complementa que, além da falta de chuvas, o Lago tem outro fator no sentido de diminuição dos níveis: o vento. As últimas medições realizadas pela Secretaria do Meio Ambiente, na estação Cais Mauá, em Porto Alegre, é de entre 12 e 15 centímetros, sendo que o normal é 1 metro.
- Esse valor de 12 centímetros é um valor mínimo de no mínimo seis meses que não chegava a este valor. E é uma conta extremamente baixa, um mínimo histórico para o Lago Guaíba. É situação completamente atípica, relacionada à estiagem e com o impactos dos ventos - diz.
A expectativa é que a partir desta sexta-feira (4) pode ter uma virada dos ventos para região sul do Rio Grande do Sul, que deve ter o represamento das águas. O lago ainda recebe a recarga dos rios Jacuí, Taquari e Caí, afluentes do Guaíba, que ajuda em uma leve recuperação.
- A condição é de alerta em tempos de estiagem, e infelizmente este cenário dos bancos de areias [como no valão do Engenho, em Guaíba] altera toda paisagem do Lago Guaíba com baixa condição de disponibilidade hídrica, que deve ainda se manter ao longo dos meses de verão, pelo menos - finaliza.
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