Repórter Guaibense

Terça-feira, 26 de Maio de 2026

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Em entrevista, Marcelo Maranata avalia os dois anos à frente da prefeitura de Guaíba

Maranata destaca investimento em educação, assistência social, obras públicas e saúde

Em entrevista, Marcelo Maranata avalia os dois anos à frente da prefeitura de Guaíba
ADRIANO MADRUGA/PMG
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Em entrevista conjunta com o jornal Nova Folha, o prefeito Marcelo Maranata avaliou os dois primeiros anos à frente da prefeitura de Guaíba na noite desta terça-feira (13). Ele tomou posse em janeiro de 2021 e encerra o mandato em dezembro de 2024, ao lado da vice-prefeita Claúdia Jardim.
 
Ele salienta que, apesar ter perdido praticamente cerca de um ano e meio com insegurança da retomada das atividades devido a pandemia, houve muito investimento do município em educação, assistência social, obras públicas e na saúde.
 
"Nesse tempo só ficamos vacinando gente. Mudei meu gabinete para dentro do hospital, que recebemos sem cama, sem travesseiro, sem lençol, sem chuveiro. Hoje temos 61 leitos no Hospital Nelson Cornetet. Hoje tenho orgulho dessa modelagem que fizemos com a Associação Vila Nova, a primeira concessão hospitalar do Brasil, e sei que temos muito a melhorar", afirmou.
 
Segundo ele, ainda a previsão de nesse primeiro semestre iniciar o funcionamento do bloco cirúrgico, com oito tipos de cirurgias, inclusive com nascimento de crianças. 
 
"Hoje já nasce criança, toda a semana no nosso hospital. A mãe que chega hoje no hospital, que não teve complicações na gravidez e está pronta para o parto normal, ela é atendida e posteriomente encaminhada para Porto Alegre caso tenha alguma complicação. Com o bloco cirúrgico aberto, também poderemos fazer cesárea. Nos próximo seis meses só não vamos ter a figura maternidade, de pediatra 24 horas e toda a estrutura necessária. A maternidade da PUC fechou, nunca prometi isso e não vou abrir, não tem condições nenhuma de um prefeito sustentar uma maternidade".

Ele também destaca a implementação do restaurante popular; o cartão emergencial para 2,5 mil famílias que receberam o auxílio para compra em mercados e supermercados cadastrados; inauguração de duas escolas de educação infantil, no Jardim dos Lagos e na Cohab; a pavimentação de mais de 30 ruas devido a Usina de Asfalto; e a tão esperada recuperação asfáltica da Estrada do Conde.

 

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Veja a entrevista completa, a partir de agora:

Guaíba tem cerca de 500 crianças sem vagas garantidas nas escolas de educação infantil. O que falta para atender essa necessidade?

A gente está desafiando todas as creches ou qualquer empreendedor do município a investir nesse negócio. O município não pode fazer um concurso e inchar a folha de pagamento com profissionais e depois, daqui cinco anos ou dez anos, não haver essa quantidade de crianças. A gente chegou num limite e a partir de agora talvez vamos abrir mais uma creche, mas a proposta do município é comprar vaga. Que a Ulbra tenha vaga, que o Eichelberger tenha vaga, que o Dimensão tenha vaga, que as creches do município tenham vaga. O prefeito vai pagar a vaga. 

[ele descartou a possibilidade da escola de educação infantil no prédio da antiga escola Albino Hackmann, na Florida, e disse que é necessária uma parceria público-privada para a reforma da escola Vovó Flor, no Centro, devido o investimento pesado]

 

Segundo o secretário de Assistência Social Norberto Guimarães, cerca de 15 mil pessoas vivam com a extrema pobreza em Guaíba. Como enfrentar esse problema?

Isso é um dado gravíssimo, gravíssimo. A região metropolitana está vivendo essa angústia de desemprego. A tarefa mais importante agora é a geração de emprego, formação e geração de emprego, isso que devemos fazer. E, dentro desse mapeamento, poder atender principalmente aquelas famílias que tem criança. Esse é o foco importantíssimo para manter essa criança no colégio, e a mãe estar pelo menos com a segurança alimentar.

 

A cidade recebeu a confirmação da construção da fábrica de aviões Aeromot. O que a cidade está fazendo para o crescimento econômico?

A Aeromot está trabalhando bem, a gente está correndo atrás das licenças necessárias para a construção. Temos possibilidade de investimentos da Índia e da China, temos um centro de distribuição de logística, em torno de mais de 2 mil empregos, e também temos uma negociação com o governo do Estado para liberar o terreno ao lado da avenida Nei Brito, na Santa Rita, para trazer pequenas e médias empresas. 

Esse ano abrimos a agência de desenvolvimento. É um lugar que vamos fomentar as startups do município, mapeando todas as redes de emprego e oportunizando um ambiente de negócios para os empreendedores. É projeto muito semelhando ao Instituto Caldeira, para que os empreendedores possam fazer inovação num ambiente proporcionado pela prefeitura.

 

A Câmara aprovou a instauração da Secretaria de Mulher, Famílias e Direitos Humanos. Já tem o nome da titular da pasta, e haverá outras mudanças no secretariado?

Não pensei na hora que vou fazer mudanças na equipe, mas tem algumas coisas que estão acontecendo. Por exemplo, o secretário Dion Sperotto por motivos particulares pediu afastamento devido não conseguir conciliar com outros compromissos profissionais. Ele me pediu para liberar ele dessa função. Mas a porta está aberta, ele é uma pessoa de muito relacionamento que consegue chegar em lugares que não conseguimos chegar. Isso importantíssimo para gestão.

Temos também a que escolher o gestor da pasta de Planejamento, Marco Ávila está tocando por enquanto, e também temos a nova pasta de Mulheres que é importantíssima. [...] Não tem nome na Secretaria da Mulher, mas no meu coração tem. Não temos pressa.

 

Os professores municipais cobram o piso do magistério. Qual a posição da prefeitura de reajuste ao funcionalismo?

Não tem ninguém que não receba o piso, isso é uma mentira. Se apresentar alguém que não tenha o piso, eu pago do meu bolso. Tem professor que ganha hoje R$ 19 mil para 20 horas. Quero desafiar um município do Brasil que tenha um piso igual o nosso. 

Não temos problema de salário, temos algumas coisas que não conseguimos atingir porque não existe orçamento para cumprir essa determinação. Os prefeitos que deram, infelizmente, não estão conseguindo cobrir suas folhas de pagamento. 

Agora é uma negociação que devemos ter com o sindicato, e vejo bem tranquilo em relação a isto. Educação não é somente a remuneração do servidor, a gente está colocando robótica nas escolas, uniforme para todas as crianças, tela interativa em todas as escolas. Cada diretor de escola recebeu dinheiro para fazer reforma. 

[...] O piso do governo do Estado é uma vergonha, não dá para nem comparar. Eu não vou endividar o município.

 

Há projeto pro Matadouro São Geraldo?

O saladeiro São Geraldo tem uma coisa que é única na região metropolitana, então estou tratando-o pessoalmente com o dono. Não podemos falar de uma coisa que não é nossa. E pela primeira vez sinto no proprietário, a partir de tudo que estamos viabilizando para ele, a vontade de contribuir para a cultura local. Está se encaminhando uma grande parceria, que vai envolver público e privado.

Quero até o final do ano apresentar todo o projeto da orla do Guaíba, que envolve o Matadouro também. Ele começa lá na linha da Nei Brito e termina na praia da Alvorada. Projeto bacana, vai ligar Engenho, Ipê, mais dois condomínios. Inclusive tem uma coisa muito arrojada que vai acontecer depois de 2050.

 

“Asfalto é feijão com arroz”, diz Maranata

Esse ano temos ainda o plano diretor para fazer. Isso que estou fazendo, se for falar honestamente, é feijão de arroz. Fazer asfalto? Meu irmão. Anda por esse Rio Grande a fora e ver o que temos aí. [...] Anda na rua naquelas cidades que é a 15ª economia do Rio Grande do Sul. Anda na rua, anda na vila. A gente anda no barro em frente ao posto de saúde. Você não tem vergonha disto daí que a frente do posto é com barro. Lugar que tem que estar limpo, que deve estar higienizado para as pessoas receber medicamentos e vacina. 

Isso que estou fazendo, asfalto, é feijão de arroz. Eu deveria ter recebido a cidade assim, para hoje estar pensando na cidade em 2050. Queria estar pensando na iluminação de LED, na geração de renda, numa orla bonita para trazer turismo. Mas não, o povo tá feliz porque estou fazendo asfalto. Isto é feijão com arroz.

Já fomos a 17ª, 15ª, e somos a sétima economia. Estamos investindo na cidade, mas a minha preocupação como prefeito é a fabrica de aviões, queria estar preocupado com a parceria com a Índia, China, CMPC, para eles fazerem intercâmbio com as crianças. Parceria com os Estados Unidos, Japão, a Toyota tem mais três projetos para trazer pro Brasil e temos que conquistar um. Mas tenho que estar preocupado em tapar buraco e esgoto que ninguém nunca limpou, na cidade mais bonita da região metropolitana.

Temos que recuperar nos próximos dias, sinalizada, a 20 de Setembro e a Estrada do Conde. Vamos colocar lâmpada de led na Nestor de Moura Jardim, na Castelo Branco, na Adão Foques e na beira de praia (João Pessoa). Vamos fazer um trevo de acesso próximo da Thyssen Krupp. 

 

E o futuro político?

Agora concorro a presidência da Famurs, já fiz mais de 12 mil quilômetros, usei minhas férias para viajar o estado. Fui visitar prefeito, estou conhecendo todos os prefeitos do Rio Grande do Sul para concorrer à presidência da Famurs.

Aqui no município estamos conversando com os pares para pensar no projeto de eleição, se vamos ou não vamos em 2024. Estamos conversando os partidos para dar continuidade no trabalho. Ainda tem uma etapa para cumprir. 

 

E o que o municípios está fazendo sobre o impacto da estiagem?

A estiagem temos mais 12 açudes do convênio com o governo do Estado para fazer. Emitimos o decreto, para ajudar o agricultor que perdeu tudo a conseguir acionar o seguro ou parcelar em empréstimo bancário. É um problema. 

 

Palavras finais.

O meu foco é em cima de emprego e renda, vocês vão ver um prefeito muito dedicado para as grandes causas agora. Preciso ter um encontro com a direção nacional da Toyota, são três plantas importantes, tem a fabrica da Sander que quer ampliar e tem uma área que queremos fazer um negócio inovador, que é uma usina de energia movida a casca de arroz. Hoje é a maior fonte de renda de São Sepé. 

O grande desafio é o saneamento básico, a gente não assinou com a Corsan e não vamos assinar. Montamos núcleo com 14 prefeitos da nossa região que também não assinaram. Estamos montando um consórcio, a gente vai municipalizar, regionalizar ou montamos uma concessão. 

Temos um projeto gigante que é o arroio Passo Fundo. Temos dezenas de ações que estamos tratando, a gente deve apresentar para comunidade. Desde a bacia de contensão, agora começamos a regularização fundiária, todo mundo que está regular lá vai receber matrícula, na região da Primavera, São Jorge e também na vila da Benção, próxima da BR-116. Todo mundo vai receber matrícula.

Vamos abrir três estratégias de saúde da Família (Colina, Ermo e Cohab), com duas equipes cada uma, que atenderá 8 mil famílias direto nas residências.

Não queria ter pego a cidade tão bagunçada, se Deus me der o segundo mandato eu vou entregar muita coisa ainda. Vocês vão ver muita coisa ainda. 

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