O grupo de teatro Realejo EnCena estreou a peça 'A Grande Máquina' na última quarta-feira (12) na Escola Municipal Santa Rita de Cássia, no bairro Santa Rita. Cerca de 50 estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) assistiram ao espetáculo, que deve percorrer pelo menos mais três escolas de Guaíba até o fim de abril. Nesta quarta-feira (19) a apresentação ocorre na escola José Carlos Ferreira, no bairro Pedras Brancas.
A peça conta a história, em uma aldeia isolada, de um grupo que recebe a missão de montar um aparato misterioso enviado por autoridades distantes, com o objetivo de romper barreiras e transformar a comunidade. No entanto, à medida que tentam compreender as peças e instruções enigmáticas do dispositivo, os aldeões se veem mergulhados em disputas, ambições e dúvidas. Entre a busca pelo progresso e a resistência ao desconhecido, o que realmente significa construir essa tão aguardada Grande Máquina?
O texto foi escrito no final da década de 1970 por Roberto de Andrade Martins, de Minas Gerais, e apresentado entre 1977 e 1978. Depois disso, nunca mais foi montado devido à complexidade do texto. Segundo o diretor e dramaturgo guaibense Isaque Conceição, após 40 anos, tornou-se ainda mais difícil encená-lo em um espetáculo de quase duas horas.
"Manter a atenção do público por uma hora e 45 minutos é um desafio para um grupo de teatro, então fizemos algumas adaptações. O texto da década de 1970 tinha uma pegada mais espiritualizada na parte final, era outro tempo. As pessoas estavam no meio de uma ditadura e cansadas de lutar, buscando outros caminhos para de alguma forma se livrar do que estava acontecendo. Quando começamos o processo criativo de 'A Grande Máquina' estávamos no governo passado e, de alguma forma, a cultura também estava ameaçada. Mas precisávamos adaptar o texto para trazê-lo para a década de 2020, atualizando-o com o pensamento do grupo e com as necessidades da sociedade neste momento", explica Conceição.
O processo criativo começou em 2019 e foi interrompido devido à pandemia de Covid-19. Os ensaios, às vezes, aconteciam por chamadas de vídeo lendo textos e debatendo a estética e o caminho que a peça seguiria até finalmente ser apresentada ao grande público.
A peça acontece dentro de uma arena em lugares onde o acesso ao teatro é limitado, já que Guaíba não possui um prédio específico para esse fim. "Construímos essa arena para transitar por locais onde há dificuldade de acesso ao teatro e, ao mesmo tempo, criamos um espaço confortável para que a gente tenha domínio sobre ele, oferecendo uma experiência teatral diferenciada. Mantemos todo o ritual de um espetáculo dentro de uma casa de teatro, mas em uma arena alternativa e móvel, fruto de muito esforço para chegarmos a esse resultado", explica Conceição.
O elenco conta com os atores guaibenses Adriana Gucca, Aline Helena Elingen, Bruno Freitas, Fevi Lopes, Henrique Signorini, Isaque Conceição, Maurício Franskoviak e Peixotão Raptor. A preparação vocal ficou por conta de Heber Nascimento, com apoio da equipe formada por Estevão Testinha Júnior, Júlia Menegotto e Rafaela Pokorski.
Para Aline, foram cinco anos de aprendizado e evolução, tanto profissionalmente quanto pessoalmente. "Esses cinco anos nos fizeram refletir sobre cada etapa do processo, aperfeiçoando e inovando em cada uma. Muitas mudanças foram feitas desde o início, e cada uma foi fundamental para a construção do espetáculo e para torná-lo tão grandioso quanto é hoje. Um espetáculo único. Fiquei muito emocionada por termos estreado de forma tão bonita. Levamos ao público uma apresentação completa e única, com atuação que inclui máscaras teatrais, canto, música, cenário e figurinos, tudo feito com muito carinho e profissionalismo", afirma.
Fevi destaca que, depois de tanto tempo ensaiando e amadurecendo o espetáculo, finalmente poder estreá-lo para o grande público é uma alegria imensa: "Estou animado não só com esse momento inicial, mas também com a circulação da peça, que agora pode alcançar mais pessoas e gerar novas trocas com esse texto incrível. Desde 2020, viemos construindo essa história, e ver tudo ganhar vida no palco é uma realização enorme."
Adriana ressalta que foi um processo longo e desafiador, com um roteiro complexo, mudanças no elenco, pandemia, enchente e situações pessoais que abalaram o grupo como um todo. "Todas as mudanças vieram para melhor. Hoje temos um elenco comprometido, um texto rico, uma trilha musical fantástica, além de cenário, objetos, figurinos e máscaras que transformaram nosso espetáculo em algo muito maior do que podíamos imaginar em 2019. A estreia do espetáculo, para mim, foi uma noite perfeita do começo ao fim. Foi a concretização de um grande sonho. Saímos do papel e das salas de ensaio, invadimos a arena com determinação e, enfim, nos apresentamos", conclui.
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