Guaíba inaugurou na manhã desta sexta-feira (25) o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) Jussara Brito, no Parque 35. O centro de referência é o espaço estratégico de política de enfrentamento à violência contra as mulheres e visa à ruptura da situação de violência e à construção da cidadania das mulheres, por meio de atendimento intersetorial e interdisciplinar, com apoio psicossocial e jurídico às mulheres vítimas de abuso e exploração sexual.
O CRAM terá como finalidade assessorar, assistir, apoiar, articular e acompanhar ações, programas e projetos voltados à mulher. Funcionará de segunda à sexta-feira, das 8h ao meio-dia e das 13h às 17h, e contará com assistente social, psicóloga, orientadora social, assessoria jurídica entre outras profissionais.
“Estamos inaugurando um equipamento que terá vida longa, com muita competência e dedicação. O CRAM é necessário porque precisamos do equipamento que acolhe e humanize, que faça que a mulher não precise a tantos lugares num momento tão difícil da vida, porque tomar a decisão de procurar um auxílio e romper ciclos já é algo muito doloroso para as mulheres”, afirmou a vice-prefeita Claudinha Jardim.
Para a delegada de polícia Karoline Calegari, o CRAM é um marco na história de Guaíba. “A polícia e o Ministério Público não conseguem através de ações criminais oferecer o auxílio necessário às vítimas de violência doméstica. O fenômeno da violência doméstica é complexo, envolve uma série da fatores, que precisa de apoio intersetorial”, disse.
O nome é uma homenagem a Jussara Nelly Campos De Brito, advogada, especialista em direito de família e conselheira tutelar de Guaíba por dois mandatos. Dedicou-se a causa das mulheres e principalmente na luta contra a violência contra as mulheres. Antes da lei Maria da Penha, criou a cartilha dos direitos das mulheres casadas, juntamente com a advogada Ângela Bicca. Foi a única mulher a presidir a OAB Guaíba. Liderou o movimento das PLPs e fundou e organizou durante anos um movimento de caridade feminino, chamado Clube das Gatas. Ajudou a fundar e foi a primeira presidente do CODIM - Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Guaíba.
A promotora de justiça Raquel Issoton destacou que somente quem trabalho no dia-a-dia com a violência doméstica sabe da importância da implementação do CRAM:
“Nós sabemos que o processo criminal é necessário, as medidas protetivas são necessárias para frear essa violência crescente. Mas isso não basta, a violência contra mulher principalmente do ambiente doméstico traz inúmeros problemas para aquela mulher. Eu tenho visto mulheres sofrerem violência doméstica como eu nunca vi em toda a minha carreira. Tenho visto casos de mulheres que perdem os dentes, que estão perdendo a sua dignidade. Esse espaço é de extrema importância, precisamos saber e entender como funcionará esse centro de referência para que não vitimizamos a mulher, mandando ela para lá e mandando para cá. Então, hoje o centro de referência é uma porta de entrada muito importante para o atendimento da mulher e de sua família também”.
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