"Guaíba vive uma epidemia de animais abandonados", foi o que disse a protetora independente Neca Grassoti na live do Repórter Guaibense, da última quinta-feira (4), sobre a realidade dos cachorros e gatos em situação de vulnerabilidade na cidade. O programa ainda teve participação da Karen Pereira, da ONG Pé de Chulé, e da advogada Maritza Didio, da comissão dos direitos dos animais da OAB Guaíba.
Elas se mostraram preocupadas com a realidade de diversos animais em situação de rua, que é visivelmente caótica e não levada à sério pelos poderes públicos e a sociedade em geral. Neca relembrou vários cães que poderiam ficar sem dono após a remoção de moradores da área invadida na orla da Alegria, zona sul de Guaíba, no ano passado. As famílias foram deslocados para outros espaços para que o local passasse pela revitalização organizada pela indústria CMPC.
A luta dos protetores independentes foi para que os animais não fossem esquecidos. Para Neca, essa situação foi bem emblemática e que representa o que acontece no dia-a-dia:
- O projeto foi pensado nas famílias, nas pessoas, mas em nenhum momento foi considerado que estas famílias tinham animais de estimação, são raras as que não tem um cachorro ou gato em casa. E no entorno daquela vila viviam os animais comunitários, que já foram abandonados e que ficaram naquele vilarejo. Então, não foi pensado nem nos animais das pessoas que se mudaram e, menos ainda, daqueles comunitários que ficaram ali.
Ela ainda lembra que esse fato foi um pequeno recorte que os animais vivem na cidade, por naquele momento estarem envolvidos o poder público, uma grande indústria da cidade e, mesmo assim, a realidade desses animais não foi pensada.
- A situação desses animais é de abandono. Desde que moro em Guaíba e sou atuante nesta causa observo os gestores públicos de costas para eles - acrescentou.
A ONG Pé de Chulé é especializada em resgate, tratamento e reabilitação de cavalos vítimas de maus tratos em cidades da Região Metropolitana. Karen conta que a grande maioria dos carroceiros abandonam os seus animais quando se vê a necessidade de um tratamento veterinário, e que posteriormente a população local aciona a ONG. Há duas semanas, um cavalo no bairro Florida, na zona sul, foi resgatado pelos voluntários.
- De 100% dos animais que a ONG Pé de Chulé resgatam, apenas 25% sobrevivem. Então é uma taxa baixíssima. Mas quando recolhemos a gente não mede esforços, a gente corre para salvar, mas nem sempre conseguimos por que eles chegam em estado lastimável - contou.
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