A história dos 50 anos da escola de samba Império Serrano, patrimônio imaterial de Guaíba, está contada no primeiro livro do historiador guaibense Ricardo Cruz. "Eu sou do Morro" aborda os fatos históricos do carnaval da cidade, da entidade carnavalesca e na busca de entender o Ermo com um bairro de moradores negros. Esse trabalho é resultado da dissertação de mestrado do autor sobre a territoriedade negra e ciclo carnavalesco da Império Serrano através da sua prática cultural.
"Busquei primeiramento entender aquele território do Ermo como um espaço negro e depois pensar como esse espaço faz o carnaval, então analiso o ciclo carnavalesco dentro de um perspectiva antropológica que é tentar entender como eles começam a preparar o carnaval, como é a rotina de ensaios e depois tentar entender como isto vai para avenida e até seu desfecho na apuração, que pode ser tanto de derrota quanto de vitória", conta o escritor.
Segundo ele, essa história serviu como base para colocar a Império Serrano como patrimônio imaterial no final de 2020 por suas formas de realizar o carnaval. "E a gente sabe que se olhar para história de Guaíba e pensar em um grupo carnavalesco que persiste e monta seu carnaval durante 50 anos é um longo processo, e essa ideia que tento discutir nesse trabalho de mestrado", expressa.
O livro de mais de 200 páginas também deixa documentado a origem da escola, o falecimento do fundador e puxador de samba Liberato Garcia (em 1991), os temas-enredos levados para a avenida, os trabalhos da imprensa, o brasão da escola. as cores verde e vermelho, a velha-guarda, o Império Serrano Mirim e Descida da Avenida Breno Guimarães, evento que virou tradição na escola de samba.
A produção da obra veio com a Lei Aldir Blanc, lei de auxílio emergencial ao setor cultural durante a pandemia, em parceria com a editora guaibense Palavreado. Foram produzidos 200 exemplares sendo que cada escola municipal recebeu duas edições como uma fonte e recurso pedagógico para ser trabalhado dentro das salas de aulas.
"É como uma fonte e recurso que pode ser trabalhado por exemplo no Mês da Consciência Negra, como projeto de carnaval e também com projeto que desenvolve uma outra ideia dentro de Guaíba pensando no lado antropológico e de geografia e história. Isto é importante destacar por conta de ser um recurso que está nas escolas hoje e também para ser utilizado como mais uma ferramenta pedagógica e outro olhar para a história do Município", conclui Cruz;
Para comprar
O livro está à venda no site https://www.editorapalavreado.com/ ou diretamente com o autor Ricardo Cruz pelo (51) 98526-9798, sendo que todo o dinheiro arrecadado será revertido para as atividades sociais da escola de samba.
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