Estávamos ainda na pandemia da covid-19, no início de 2021. Eu sempre fiz meus exames de rotina em janeiro, mas em função da pandemia, acabei deixando pra fazer um pouco depois. Em abril senti uma fisgada na mama direita, e resolvi agendar os exames. Após fazer a ecografia mamária e a mamografia, com o alerta da médica de que havia uma lesão suspeita, fiz biópsia, e era câncer de mama. Inicial, pequeno, mas nem por isso foi menos assustador.
A primeira reação foi o medo da morte, e do desconhecido. O apoio da família e dos amigos foi fundamental para enfrentar todos os desafios do diagnóstico e do tratamento. E no caminho também encontrei ótimos médicos e profissionais que me acompanharam e me ajudaram a enfrentar todas as etapas: cirurgia, quimioterapia, imunoterapia, radioterapia. Foi um período muito difícil, física e emocionalmente. Chorei, tive medo, raiva, revolta, me senti cansada.
A perda dos cabelos não foi o pior pra mim, mas ficar sem cílios e sobrancelhas foi mais difícil. Me permiti sentir tudo isso ao mesmo tempo em que tinha fé de que ficaria bem e estava grata por poder ter acesso aos tratamentos e ter rede de apoio para segurar na minha mão. Hoje ainda sigo com medicação oral diária e a cada três meses faço uma injeção para bloqueio hormonal.
Em junho completei 4 anos sem câncer. O medo da doença voltar existe, mas encontrei um jeito de lidar com ele, fazendo o que está a meu alcance: realizo todos os acompanhamentos e exames solicitados, cuido minha alimentação e faço atividade física - voltei a correr, que era algo que eu fazia quando era jovem, e também faço pilates. Passando por algo assim, a gente acaba sabendo levar a vida de outro jeito, as prioridades mudam, e a gente acaba se sentindo mais forte pra lidar com os desafios da vida.
Luciane Castro, 46 anos.
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