Líderes das religiões de matrizes africanas estiveram em sessão na Câmara de Vereadores, nesta terça-feira (11), criticando propostas dos parlamentar de criação de um "despachódromo" em Guaíba. Para o Coletivo de Povos de Terreiro e Comunidades Tradicionais, o objetivo de criação desse espaço destinado para as oferendas era de desrespeito às práticas religiosas.
A crítica partiu através de uma emenda impositiva do vereador Ernani Chacrinha (MDB), que destinava recursos públicos para construção desse local, e um requerimento do líder de governo Alex Medeiros (Progressistas) que consultava a viabilidade da prefeitura de instalar em alguma área pública da cidade.
O pai de santo Chris de Oxalá disse que a tal emenda soava como projeto de violência simbólica, irracional e não inteligível. "Somos ainda identificados como feiticeiros, charlatões, adoradores do diabo, ainda que essa figura não integre nossa liturgia, que sim em muito se contaminou com uma colonização de moldes católicos, modelo europeu e branco, que nos atribui o exercício de falsa medicina, personalidades e atos obscenos e delinquentes", destacou.
Ele ainda reclamou que a tradicional expressão, discriminatória, criminosa e racista "chuta que é macumba" reproduz exatamente a ideia, intensão e ação de todos aqueles que pretende reproduzir o apagamento de toda uma cultura construída e constituída por homens livres, feitos escravos, mas construíram esse país e, inclusive, esse município.
- Essas tantas outras formas se provam nessas tentativas de criação de espaços denominados vulgarmente como "despachódromo e macumbódromos", mas que tem nada além de um intenção de delimitar, cercear contendo entre "quatro paus" um direito garantido de livre exercício de nossas práticas em qualquer espaço natural ou alicerçado pelo homem - ressaltou.
Chris de Oxalá também acrescentou que a Casa não tem espaços nas sua sessões ordinárias para palavras da religião de matriz africana, mesmo vivendo em um país laico, e pontuou que a cidade não possui o Conselho Municipal de Povos de Terreiros como órgão consultivo.
O vereador Chacrinha anunciou que, por não ter consenso entre todas as casas de religião, usou bom senso e retirou a emenda impositiva para que este recurso seja agora destinada para compra de cestas básicas à pessoas de baixa renda.
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