Repórter Guaibense

Terça-feira, 16 de Junho de 2026

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Praça na Colina ganha nome de Bruno Ilária após abaixo-assinado da comunidade

Bruninho faleceu em dezembro de 2020 por decorrências da covid-19, aos 34 anos

Praça na Colina ganha nome de Bruno Ilária após abaixo-assinado da comunidade
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Depois da entrega do abaixo-assinado de cerca de 500 moradores da comunidade, vereadores aprovaram o projeto de lei nesta terça-feira (9) que denomina uma praça na Moradas da Colina, em Guaíba, de Bruno Centeno Ilária. Ele faleceu em dezembro de 2020 por decorrências da covid-19, aos 34 anos.

A sua morte comoveu familiares, amigos e clientes do supermercado Nacional, no Centro, onde trabalhava há mais de 15 anos. Também era aluno atendido pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), na Florida.

Bruninho, como era conhecido carinhosamente, gostava de jogar futebol, fazer teatro e de brincar, era atencioso, prestativo e que todos que o conheciam gostavam da sua características de ser um guri alegre e bondoso.

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O proponente vereador Tiago Green (PTB) pediu que todos outros parlamentes que votassem a favor do projeto porque é o nome de uma praça que hoje não está sendo cuidada da melhor forma possível e que talvez com seu nome todos consigam ressurgir essa área da comunidade.

 - Não é o Tiago que importa, nem os colegas que votaram sim, por que estamos homenageando todos juntos. E se a gente está homenageando todos juntos a gente consegue chegar ao objetivo que é ter um local que a gente saiba que estará bem representado com o nome do Bruno, mas que talvez vai trazer para comunidade uma oportunidade e uma força para que a praça seja revitalizada - disse ele.

 

O Bruno

Morte de atendente de supermercado e aluno da Apae, por covid-19, comove Guaíba

Bruno Centeno Ilaria foi o filho mais novo de seis irmãos. Sua jornada começa no dia 30 de abril de 1986. Ao nascer, foi diagnosticado como uma criança especial, mal eles imaginavam que ele seria especial por fora e também por dentro. Ele nasceu com síndrome de down e também teve refluxo. Com quinze dias de vida, sua mãe veio a falecer, e seu pai junto de sua irmã mais velha passaram a tomar conta dele e de mais três irmãos, pois um havia falecidos há uns anos atrás de leucemia. 

Os tios, na intenção de ajudar, queriam ficar com os sobrinhos, mas o pai não aceitou e seguiu a vida cuidando sozinho dos seus cinco filhos. Na época a mais velha tinha quinze anos, a outra filha nove anos, a outra três, o outro dois anos e Bruno com 15 dias de vida. 

Com menos de um ano, Bruno passou a frequentar a APAE de Guaíba. E não foi nada fácil pois todos tiveram que lidar com uma nova realidade, uma rotina diferente e com o preconceito da sociedade por ele ser uma criança diferente. Dentro de casa, Bruno sempre foi tratado de forma igualitária, como uma criança normal. Nunca precisou tomar remédios ou calmantes, como algumas crianças especiais. 

Como a APAE era muito longe e de difícil acesso, seu pai resolveu matricular Bruno numa escola normal, que ficava num bairro perto de sua casa. A intenção foi boa, mas infelizmente não deu muito certo. Como as pessoas com síndrome de down tem um pouco mais de dificuldade no processo de aprendizagem, Bruno não conseguiu acompanhar e teve que sair da escola, pois não haviam profissionais para ajuda-lo nesse processo. 

Bruno voltou para a entidade e foi se desenvolvendo cada vez mais, participou de muitas olimpíadas da escola e ganhou algumas medalhas. Sempre participava das peças de teatro na escola. Bruno nunca teve problema motor. Dançava como ninguém. Coreografias, sabia várias e até inventava. Tocava pandeiro no ritmo certinho. Ele tinha um pouco de gagueira, mas isso nunca o impossibilitou de fazer amizades por onde passava. Além de tudo isso, ele era muito carinhoso. A cada aniversário ele tinha um discurso pra demonstrar seu carinho pelo aniversariante. 

Em 2006 a APAE iniciou um projeto para inserir seus alunos no mercado de trabalho e Bruno foi um dos selecionados para participar do projeto. Ele passou e trabalhou por 15 anos no mercado até o seu último dia de vida. 

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