O Conselho Municipal de Povos de Tradição e Matriz Africana promoveu na última sexta-feira (29) o bate-papo sobre a mulher negra da educação. O evento na Vitrine Cultural, próximo da Casa de Gomes Jardim, no Centro, ocorreu em alusão ao Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, comemorado no último dia 25.
A roda contou com a presença da mãe de santo Tati de Oyá e as professoras Adriana Santos e Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva.
"Sei que os preconceitos ainda existem e estão em todas as partes. Não há dúvida que sofro preconceito, quanto mais escuro o tom da pele, mais o colorismo nos atinge, maior é o nível de não aceitabilidade na nossa posição, como sociedade, professora, pessoa, intelectual. Parece que a gente é zero. [...] Mas nunca me atingiu, sempre fui para cima no sentido de empoderamento, me colocar e me mostrar nos lugares onde estou. E sempre procurei em transformar esses espaços em espaços de luta", disse Adriana.
Segunda ela, coordenadora das Políticas de Igualdade Racial de Porto Alegre, os espaços de poder, discusão e relevância em qualquer área contêm pouquíssimos números de representantes negros e negras.
"A gente conta nos dedos as pessoas negras que estão lá dentro, e isso também tem que mudar. Precisamos fazer as nossas salas de aulas como modelo. Temos nossos alunos negros, mas onde está os negros na escola? Porque não podemos ser a diretora da escola, a assessora pedagógica, a orientadora e até mesmo a secretária municipal de educação e prefeita do município? Temos condição se serem o que quisermos ser".
A professora Petronilha, também escritora, pós-doutora em teoria da educação e referência em educação das relações étnico-raciais, destacou que o movimento negro faz parte de um movimento maior que existiu desde sempre, desde resistência dos escravizados. Que no Rio Grande do Sul iniciou em diversos municípios no século passado, em Porto Alegre na década de 70, com o grupo Palmeiras, liderado pelo poeta, intelectual e militante negro Oliveira Silveira.
"Hoje temos muitos grupos com esses meios de comunicação que nos permitem a localizá-los mais facilmente, mas lá nos anos 80 já tínhamos em Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires, cidades com maioria de população não negra, grupos que fortaleciam o pertencimento africano da população negra. Mesmo quando eram discriminados e desrespeitados, esses grupos eram importantes", afirmou.
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