No último dia 3 de março, estreou no Amazon Prime Video a série Daisy Jones & The Six. Ela é uma adaptação do livro homônimo da autora Taylor Jenkins Reid, que conta a história de uma banda fictícia e seus altos e baixos durante a composição do álbum “Aurora”. Temas como adicção, relacionamentos conturbados e aborto são costurados na trama, com os anos 70 e ideias libertárias como pano de fundo.
Desde 2019, quando foi lançado, o livro faz barulho na comunidade literária - seja por opiniões positivas e negativas em relação à escrita de Taylor, como também pelo seu outro sucesso, Os Sete Maridos de Evelyn Hugo (2017).
Mas o que essas obras trazem de diferente?
Quase uma biografia
Não é de hoje que a arte imita a vida e, no caso de Taylor Jenkins Reid, isso parece ser uma máxima importante. Afinal, a banda Daisy Jones & The Six é livremente inspirada em outra banda famosa (e muito boa, por sinal!).
Encabeçada atualmente por Mick Fleetwood e Stevie Nicks, a Fleetwood Mac foi formada em 1967, mas atingiu o seu auge somente dez anos depois, no lançamento do disco Rumours. Este que é a maior inspiração para o álbum ficcional da obra de Taylor.
Não somente em questões de sonoridade, como podemos ouvir agora que o álbum realmente tomou forma no mundo real - clique aqui e ouça -, mas também com as polêmicas e frustrações da banda na época de sua produção. Brigas, separações e basicamente um ódio coletivo foi o que marcou as composições do período.
Mick Fleetwood contou em sua autobiografia, Play On Now, Then and Fleetwood Mac: “Quando começamos a escrever as músicas que entrariam em ‘Rumours’, estávamos todos em pedaços. Depois de sete anos de casados, John [McVie, baixista] e Christine [McVie, vocalista e tecladista] haviam se separado; o relacionamento de quatro anos de Lindsey [Buckingham, guitarrista] e Stevie [Nicks, vocalista] havia chegado ao fim; e meu casamento [com a modelo e atriz Jenny Boyd] estava a caminho do divórcio.”
Tudo isso ajudou com que a autora de Daisy Jones transformasse dores da vida real em ficção. E essa não foi a sua primeira vez. Dois anos antes, em 2017, Taylor lançou Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, o seu maior sucesso de vendas e repercussão até agora.
A escolhida para inspirar tanto a personalidade da protagonista quanto os seus sete casamentos durante a trama foi a atriz Elizabeth Taylor.
Sim! Caso você não saiba, uma das maiores atrizes da era de ouro do cinema em Hollywood se casou sete vezes. Além disso, Elizabeth era conhecida por sua beleza deslumbrante, os olhos violeta e sua pose de diva-mor por onde passava. Assim como Evelyn Hugo, que também tinha essa pose e uma beleza incontestável, porém o que chamava a atenção eram os seus peitos e curvas. O que faz sentido numa época onde a mulher era ainda mais sexualizada do que é hoje.
Por que faz tanto sucesso?
A curiosidade por saber como é a vida real de quem é famoso está em todos nós e é formada culturalmente. O glamour que se vende na televisão e no Instagram encanta os olhos de quem vê. E é aí que está o segredo de Taylor Jenkins Reid:
Se todo mundo gosta de ler e saber sobre celebridades de verdade, por que não gostariam de ler sobre celebridades de mentira?
Contudo, não é apenas isso que caracteriza o sucesso da autora. É possível tirar toda a contextualização da fama que ainda vamos encontrar personagens bem construídas e grandes em complexidade. Tanto Daisy Jones quanto Evelyn Hugo são protagonistas difíceis: uma foi criada em berço de ouro, é dependente química e atrapalha a relação de um casal querido pelos leitores; a outra é ríspida, não tem papas na língua e, muitas vezes, magoa as pessoas sem nenhum propósito. Como gostar delas?
É simples: você não é obrigado a amá-las.
Na verdade, o que Taylor faz é nos trazer reflexões e sentimentos ambíguos enquanto entramos em contato com suas personagens, para além da simpatia e carisma. São pessoas que podem ser reais e, por serem reais, são cheias de defeitos. Isso ajuda, inclusive, na identificação e nas indagações:
Se eu fosse Evelyn Hugo, tomaria qual atitude, em uma época difícil para as mulheres? Se eu estivesse nos anos 70 e passasse pelos problemas de Daisy Jones, o que eu faria?
Não tem resposta certa. E é aí que está a beleza da narrativa de Taylor Jenkins Reid.
Por último, uma legalzice
Algumas personagens da autora estão conectadas em diferentes livros e isso torna a experiência de ler Taylor Jenkins Reid muito mais legal! Mick Riva, por exemplo, é um músico que aparece em três de suas obras: Evelyn Hugo, Daisy Jones e Malibu Renasce. Carrie Soto, além de protagonista do livro Carrie Soto Está de Volta, é mencionada em Malibu Renasce, que também cita Evelyn.
Se você ainda não leu nada da autora ou não viu a série, falamos um pouco sobre ela e suas obras no episódio semanal do podcast “Clube da (Não) Cultura”. Ouça aqui!
Ele fica disponível todas as terças-feiras, a partir das 07h, em todas as plataformas de áudio. Somos o @clubedanaocultura nas redes sociais.
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