Ao ver o noticiário fiquei extremamente chocada com as cenas apresentadas. Pessoas tentando fugir de seu país, pois o medo do retorno de um regime repressivo e extremamente autoritário as impulsionava. De outro lado, vi em outra parte do mundo pessoas passando fome, terremoto e também sendo alvo de uma política corrupta. Somado a outras questões que nos assolam dia a dia, não tive como deixar de pensar como isso afeta nosso estado emocional.
A empatia, tão falada e apontada como importante, é a capacidade que temos de nos colocar no lugar do outro. Principalmente quando vemos alguém sofrer. Isso acontece, porque as partes do nosso cérebro ligadas a nossa própria dor são ativadas. A habilidade de ser empático pode ser desenvolvida. Procurar reconhecer a qualidade do outro, e não só os defeitos, refletir sobre o que me motiva a apontar o outro, estar aberto a mudança de opinião, tentar imaginar a vida e os sentimentos do outro, podem ser alguns passos que ajudem nessa caminhada.
É importante também estar atento ao nosso emocional. Ele pode afetar o nível de empatia que sentimos. Quando nos sentimos mal, nosso cérebro pode mudar a forma que reage a dor do outro. Quando estamos com nosso humor afetado, nosso comportamento pode ser influenciado. E isso pode se refletir, desde na questão alimentar, quanto às nossas amizades. O impulso de comer algo para se sentir melhor ou falar algo que em outro momento não seria dito para um amigo.
Quando não estamos bem, nossa capacidade de ajudar as pessoas pode ser afetada. Ficamos menos sensíveis, pois as emoções negativas podem reprimir a capacidade do cérebro de se conectar com a dor do outro. Menos empatia, produz repercussões no modo em que nos relacionamos em sociedade. Quando estamos menos sensíveis ao outros, temos menos movimentos de ajuda.
Por exemplo, a instituições que necessitam do apoio da sociedade sofrem com as oscilações nas doações. Emoções negativas tornam o indivíduo pesado e talvez por isso, se sinta menos estimulado a despender energia para o próximo, procurando se concentrar em si mesmo e no que precisa enfrentar. É o que se vê no movimento de isolamento que pessoas deprimidas ou ansiosas às vezes recorrem.
Para a neurociência, a empatia pode ativar o mesmo sistema neural de um ato de caridade. Pesquisas têm sido realizadas demonstrando que há uma ligação entre a caridade e saúde mental. Além disso, a prática da caridade está ligada a uma menor propensão à ansiedade e depressão, tornando a pessoa mais esperançosa.
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