Repórter Guaibense

Sexta-feira, 01 de Maio de 2026

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Com um feminicídio, Guaíba registra quase 250 crimes contra mulher em cinco meses

A promotora Raquel Issoton esteve em sessão da Câmara na terça-feira (8)

Com um feminicídio, Guaíba registra quase 250 crimes contra mulher em cinco meses
Rodrigo Ziebell/SSP
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Os números de violências contra mulher em Guaíba não param de subir. A cidade registrou 130 ameaças, 98 lesões corporal, 17 estupros e um feminicídio nos últimos cinco meses, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul. Os dados são semelhantes aos do ano passado: entre janeiro e maio de 2020 houve total de 253, neste ano soma 246 no mesmo período. 

Os indicadores reforçam a necessidade de ampliar na sociedade o engajamento por uma mudança de cultura de proteção, que valorize o respeito e a igualdade às mulheres em todos os âmbitos. Além disso, destacam a importância de que as denúncias sejam levadas às autoridades para adoção de medidas preventivas, uma vez que o feminicídio é o ponto final de um ciclo de violência prolongado, do qual a maioria das vítimas não consegue se libertar sem ajuda. Por isso, é fundamental que familiares, amigos, vizinhos e mesmo desconhecidos denunciem qualquer suspeita de abuso.

A promotora do Ministério Público de Guaíba Raquel Issoton esteve em sessão da Câmara de Vereadores na última terça-feira (8). Para ela, os números são alarmantes: “Se por um lado, que de 2019 a 2020 tivemos um decréscimo no número de ocorrências, isso ainda é muito preocupante. Porque sabemos que a pandemia nos trouxe várias limitações, principalmente no convívio social, que impactou a vida de todos nós. O que tem acontecido? Essas mulheres viviam em casa com seus agressores, muitas vezes com famílias e amigas afastadas que poderiam dar o suporte, e com dificuldade de acesso em efetuar os registros. De ir até a delegacia, em algum lugar que poderia pedir ajuda”.

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O órgão realiza o projeto “Fale com Elas”, de escuta para mulheres vítimas de violência doméstica e realização de medidas protetivas. Guaíba está entre as cidades que é preciso instalação de um centro de referência para esse atendimento especializado para, segundo Raquel, oferecer um caminho facilitado para elas buscarem ajuda psicológica, se recuperar e se fortalecer.

- O centro de referência é, sim, uma necessidade para Guaíba, que não é mais uma cidade tão pequena. Tem aumentado muito os casos. E não podemos criar um caminho que seja mais dificultoso para esta mulher. Tem que ser um lugar próprio, acolhedor – disse.

 

Rio Grande do Sul

Maio encerrou com oito feminicídios no Rio Grande do Sul, um a mais que no mesmo mês do ano passado (14,3%). No acumulado desde janeiro, contudo, o Estado ainda mantém redução nesse tipo de crime, com 42 casos, um a menos na comparação com igual intervalo de 2020 (-2,3%).

Nos demais crimes de violência contra a mulher monitorados pela SSP, tanto os dados de maio quanto do acumulado desde janeiro mostram menos registros na comparação com 2020. O destaque são as tentativas de feminicídio, com uma queda de 74,8% no mês, passando de 31 registros para oito.

 

Disque Denúncia

A Polícia Civil disponibiliza um número de WhatsApp (51 - 984440606) e também é possível fazer o relato no Denúncia Digital 181, no site da SSP, ou pelo Disque Denúncia 181. Para situações de violência que exijam intervenção imediata, o canal de emergência é o 190 da Brigada Militar. Em todos os casos, o anonimato é garantido.

 

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