O Conselho Tutelar, responsável por atender crianças e adolescentes de Guaíba, prestou esclarecimentos na noite desta terça-feira (22) na Câmara de Vereadores. As titulares Elisabete Klein e Andrea Rodrigues alertaram sobre o crescente número de trabalho infantil, evasão escolar e a 15º posição da cidade no ranking das que mais registram casos de abuso sexual no Rio Grande do Sul.
O órgão age toda vez que os direitos dos menores forem ameaçados ou violados pela própria sociedade, estado, pais ou responsáveis. Segundo Andrea, cada caso é um caso, todos tem um atendimento personalizado e possuem suas particularidades e que procuram soluções adequadas às suas reais necessidades.
O Conselho tem a finalidade de escutar, receber e acompanhar cada denúncia, que poderá ser feito através de plantão, telefone ou o disque 100 (que recebe, analisa e encaminha denúncias de violações de direitos humanos). São, em média, mensalmente 150 atendimentos na sede, no Centro, e mais de cem visitas direcionadas.
Os número de abusos sexuais diminuíram em um ano, mas não quer dizer que eles não estão acontecendo. Somente não estão sendo denunciados.
"Ficamos muito preocupados agora de quando houver o retorno da escola. Acredito que a demanda que o Conselho vai ter que atender vai ser muito, por que a escola é a nossa parceira. E agora estamos meio capengas pelas aulas não serem presenciais, só online. Então muita coisa não é percebida por que nós não podemos pontuar", salientou Andréa.
A atual coordenadora Elisabete contou que para evitar esses índices procuram parcerias para ameniza-lo. No caso do aumento do trabalho infantil buscam empresas do comércio local e de pessoas públicas para o projeto Sinal Legal, que visa encaminhar crianças e adolescentes da sinaleiras para os órgãos competentes.
Estudos mostram que o número de crianças e adolescentes que se encontram em situação de exploração pelo trabalho vem crescendo a cada ano, tanto na zona urbana como na rural.
"Ainda precisamos evoluir, e temos hoje um conselheiro para 20 mil guaibenses. Sempre estamos buscando atualizações e capacitações. Estamos buscando a implementação de um aplicativo para agilidade e eficiência ao no nosso trabalho", diz ela
Risco de vida
Conselheiros tutelares relatam risco de vida. Em muitas situações se colocam, sim, em risco de vida em prol da criança e adolescente. No último ano, segundo Andrea, foram várias vezes devido o aumento significativo de conflitos familiares, abusos e espancamentos.
Atendimento especializado
O colegiado, de cinco conselheiros, buscam a implementação de um centro de atendimento especializado para crianças e adolescentes, com atendimento rápido e seguro, e exclusivamente aos casos de suspeita de abuso sexual infantil.
Mais um Conselho
As duas salientaram que seria importante a criação de mais um Conselho Tutelar em Guaíba, devido o aumento de número de denúncias e até mesmo de moradores. Hoje a cidade tem cerca de 100 mil moradores e apenas cinco conselheiros tutelares.
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