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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2026

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Estudante de arquitetura apresenta TCC sobre projeto de criação de centro cultural em Guaíba

A proposta prevê um espaço amplo na Avenida Sete de Setembro

Estudante de arquitetura apresenta TCC sobre projeto de criação de centro cultural em Guaíba
Valmir Michelon
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A estudante Bruna Luísa Streit Ellwange, de 25 anos, apresentou em novembro o projeto Jardim 7, que propõe a criação de um centro cultural voltado ao cinema, concebido como um espaço de lazer que vai além das salas de exibição. A proposta foi apresentada como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Arquitetura e Urbanismo, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), sob orientação do professor Paulo César Filho.

O projeto inclui áreas de convivência, espaços educativos para aulas e oficinas, estúdios de gravação, ambientes para exposições e uma praça integrada, permitindo que o cinema aconteça também fora da tela. “A intenção é que o espaço funcione como um lugar de encontro, aprendizado e troca, fortalecendo a relação da comunidade com o audiovisual e valorizando o cinema nacional”, afirmou Bruna.

Natural de Guaíba, onde passou a infância e a juventude, a estudante explica que a escolha do tema nasceu de uma paixão pessoal pelo cinema, incentivada pela participação no Núcleo de Vídeo Terra Cambará, organizado pelo professor Roberto Silva, no Colégio Augusto Meyer.“Ao longo dos três anos do ensino médio, tivemos a oportunidade de participar de diversos festivais de cinema, entre eles o Festival Estudantil de Cinema de Guaíba”, relatou. “A partir dessas experiências, passei a compreender o cinema não apenas como entretenimento, mas como uma ferramenta de aprendizado e de construção de um olhar crítico. O cinema se mostrou um espaço de expressão, diálogo e formação cultural”, complementou.

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Para Bruna, essa vivência veio acompanhada de uma contradição: Guaíba não possui uma sala de cinema há mais de 40 anos. “Mesmo sendo uma cidade que promove eventos, mostras e festivais ligados ao audiovisual, o acesso à experiência cotidiana do cinema ainda é limitado. Hoje, Guaíba é a segunda maior cidade do Rio Grande do Sul sem cinema, ficando atrás apenas de Viamão”, destacou.

A estudante ressalta que o projeto Jardim 7 dialoga diretamente com esse potencial cultural do município e com iniciativas já existentes, como o próprio Festival Estudantil de Cinema, ao oferecer uma infraestrutura permanente que contribua para a democratização do acesso à cultura. Uma das salas de cinema foi pensada especialmente para o principal evento do festival, contando com palco e capacidade para 200 pessoas.

O nome “Jardim 7” faz referência ao antigo cinema da cidade, o Cine Gomes Jardim. A proposta prevê um espaço amplo, com vegetação e áreas públicas de estar no entorno da edificação. O número sete remete à sétima arte, foco do centro cultural, além de dialogar com a localização do terreno, situado na Avenida Sete de Setembro.

O local escolhido para a implantação do projeto é o terreno do antigo cinema da cidade, ao lado do Museu Carlos Nobre, em uma área de uso predominantemente comercial, inserida em um importante eixo cultural de Guaíba: a Rua 14 de Outubro. A escolha reforça a ideia de reconexão entre passado, presente e futuro, valorizando a memória urbana e cultural do município.

“A volumetria foi pensada cuidadosamente para valorizar a localização privilegiada, revelando o horizonte à medida que se avança no terreno. O prédio de exposições, situado na Avenida João Pessoa, funciona como uma tela para projeções de filmes ao ar livre, enquanto o vão do edifício enquadra a paisagem e conduz o olhar. Tudo se volta ao Guaíba, fazendo da arquitetura um gesto de contemplação, encontro e narrativa entre a cidade, a paisagem e o tempo”, destacou.

Segundo Bruna, o projeto desenvolvido na universidade pode ser adaptado e até implantado em outro local. “O projeto é ousado, tanto na volumetria quanto na escolha do terreno, mas essa ousadia é intencional. Ela funciona como uma provocação ao potencial cultural que Guaíba possui. Valorizar a história, investir em cultura e criar espaços de encontro também é uma forma de pensar o futuro da cidade. O Jardim 7 nasce como um convite para que Guaíba volte a se reconhecer no cinema, não apenas como espectadora, mas como protagonista da sua própria história”, afirmou a jovem arquiteta.

Ela também manifesta o desejo de ter a oportunidade de apresentar o projeto à Prefeitura de Guaíba e de somar a proposta às iniciativas do Festival Estudantil de Cinema de Guaíba, que busca a criação de um Museu e da Casa do Cinema no município.

FONTE/CRÉDITOS: Valmir Michelon
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