Grande público participou, nesta quarta-feira (25), da primeira audiência pública de revisão do Plano Diretor de Guaíba, realizada na Câmara de Vereadores. O processo de revisão do Plano Diretor e das leis complementares teve início em dezembro de 2025 e agora entra na fase fundamental.
O trabalho de revisão, tratado como “modernização”, consiste na atualização completa do Plano Diretor, incluindo o Plano de Mobilidade, o Código de Obras, o Código de Posturas e a Lei de Parcelamento do Solo. Todo o processo é guiado por um cronograma rigoroso, com construção coletiva de estudos, produtos e etapas técnicas.
A secretária de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade, Paula Parolli, afirmou que o plano diretor não é apenas um documento técnico, mas o mapa do futuro da cidade: “é ele que define onde podemos crescer, como devemos crescer e, principalmente, para quem a cidade deve crescer. Uma cidade sem planejamento é uma cidade que reage, que corre atrás dos problemas; já uma cidade com plano diretor moderno se antecipa, organiza seu território e promove desenvolvimento com responsabilidade. Hoje, mais do que nunca, precisamos ir além, com um plano diretor moderno e resiliente”.
O processo de revisão contará com pesquisas de mobilidade urbana, inventário e avaliação técnica, além de um ciclo de oito reuniões comunitárias para aproximar os temas da realidade da população e da realização de uma conferência municipal para validação das propostas. As reuniões começarão no próximo dia 9, em Pedras Brancas, e terminarão no dia 18 de maio, no ginásio Bagezão, na Cohab.
Conforme o arquiteto e responsável técnico pela revisão do plano diretor, Felipe Ribeiro, Guaíba possui posição estratégica na Região Metropolitana, com fortes conexões de mobilidade, trabalho e serviços. A análise demonstra como a cidade cresceu nas últimas décadas, revelando padrões de expansão urbana com maior pressão de ocupação.
O planejamento municipal precisa evoluir de um modelo concentrado em um único núcleo para uma estrutura em rede, com múltiplos polos urbanos organizados e interligados. Como prioridade imediata, destaca-se a execução das obras de drenagem já projetadas, além da expansão das redes subterrâneas de água e esgoto, avançando em direção às áreas periféricas do atual perímetro urbano.
“O plano diretor é extremamente importante, a ‘lei mãe’ da organização do território, e é por meio dela que outras leis complementares são estruturadas. Também deve representar as intenções, os desejos e as expectativas das pessoas. Esses elementos precisam ser materializados por meio de uma estrutura específica, com tabelas, mapas e textos”, afirmou Ribeiro.
Para ele, o desafio estratégico atual é interiorizar os serviços, garantindo um atendimento territorialmente equilibrado, com foco nas redes de abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem e resíduos.
Ele também destacou os conteúdos obrigatórios do Plano Municipal de Mobilidade Urbana, que devem constar na revisão do plano diretor em uma cidade do porte de Guaíba, como a implantação e qualificação de calçadas, a criação de condições adequadas para a circulação de ciclistas, a política tarifária do transporte coletivo urbano e a promoção da acessibilidade universal. Além disso, ressaltou que a cidade possui 24 bens culturais, sendo 16 deles protegidos por lei ou decreto.
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