Os guaibenses Mário Terres e Fábio Malcorra lançaram o livro “Entre Prosas e Versos” na última quinta-feira (3) no auditório Barbosa Lessa do teatro Carlos Urbim, durante a 68ª Feira do Livro de Porto Alegre.
A obra tem a essência do que forma a sociedade gaúcha, da formação de nossas vidas, os contos simples de avós, a figura de um avô rude que passa ensinamentos de forma sutil e que mesmo sem ter estudos, traz a cultura da vida para transpor em filosofia mundana e outros assuntos diversos. Por exemplo, conflitos raciais, discriminação, valorização da essência da família tradicional, abertura a diversidade, entre outros assuntos abordados de forma leve, com a paisagem regional de fundo e o diálogo entre personagens como fio condutor de tudo. Tem também os versos, décimas e outras formas que tratam da poesia regional com temas diversos, homenagens, paisagens, dia a dia, é a rima simples das coisas singelas, tudo poético e retratado em versos pelos autores.
O livro surgiu das poesias que não couberam no primeiro, “Do Nosso Rincão”. Foi um projeto despretensioso do ponto de vista literário, mas presunçoso do ponto de vista regional.
“Gostaríamos de atingir muitas pessoas com versos rimados, mas também com contos em forma de prosas, que tocassem as pessoas. Fui desafiando o Fábio a colocar no papel um sentimento e conhecimento nato, de quem viveu o campo e a presença de pessoas de referência na sua formação artística. Digamos que o livro é a conexão do poeta com o declamador fundindo na mais pura, simples e terrunha visão das coisas que nos compõem, que nos tocam e que não gostaríamos que fossem esquecidas”, diz Terres.
“Entre Prosas e Versos” retrata tudo o que temos por tradicional. A vivência de campo, a essência de quem viveu o setor primário e a distância dos grandes centros, mantendo em si toda a pitoresca característica de quem tem pouco, mas o pouco que tem é o suficiente para encontrar a felicidade.
“O tradicionalismo é mais amplo, nosso livro é um grão de areia, mas foi conduzido pelo que convivemos entre o campo, a escola e o CTG, não trazemos a pretensão de ter importância no tradicionalismo, mas nos apropriamos dele para compor e escrever o que de mais puro e simples ele nos passa”, afirma.
Rondando Sentimentos
“Junto da humanidade sentimento,
brota a irmandade, a fraternidade
dar sempre ao outro a liberdade
de ser e ter o que desejar,
livre arbítrio pra semear
porque a colheita é sempre certa.
No povo vem o coletivo da palavra
dela e desse coletivo atrevido
brota então um novo sentido,
que nessa minha tosca ignorância
me pergunto se todos humanos
colocassem em seus planos
livrarem-se da arrogância
da prepotência e do julgamento
o mundo não seria por um momento
mais ameno e mais humano?”
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