A comunidade dos bairros Jardim Iolanda, Passo Fundo e entorno participou, na quinta‑feira (23), de uma reunião regional do Plano Diretor realizada no CTG Darci Fagundes, em Guaíba. O encontro teve como foco ouvir diretamente dos moradores as necessidades e propostas de alteração para a região. Todas as sugestões levantadas nos grupos de trabalho foram anotadas e encaminhadas à prefeitura para análise e incorporação no processo de revisão do Plano Diretor e do Plano de Mobilidade Urbana.
A atividade faz parte de um pacote de atualização das principais leis urbanísticas do município, que inclui o Plano Diretor, o Plano de Mobilidade, as leis complementares, o Código de Obras, o Código de Posturas e a legislação de parcelamento do solo. Segundo a coordenação, o objetivo é modernizar e organizar o uso e ocupação do solo em um momento em que Guaíba busca conciliar crescimento urbano, preservação ambiental e melhoria da infraestrutura.
A secretária de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade, Paula Parolli, destacou a presença dos vereadores Tiago Green e Gilsão, ressaltando o papel da Câmara de Vereadores como “primeira porta que a população bate” para apresentar demandas. Foi reforçada a importância de que outros parlamentares e suas assessorias também acompanhem as futuras reuniões, dada a presença diária dos vereadores nas comunidades e a necessidade de que eles participem das discussões que vão embasar os projetos de lei a serem votados.
Também foi anunciada a intenção de realizar uma dinâmica específica com o Legislativo, levando a equipe técnica até a Câmara para ouvir, de forma organizada, as percepções dos vereadores sobre a cidade, considerando a visão mais ampla que eles acumulam a partir do contato com diferentes bairros.
A reunião foi estruturada em duas etapas. Primeiro, o arquiteto urbanista Vinícius Ribeiro apresentou um diagnóstico do território, com mapas do município, do perímetro urbano e, em especial, da região de Jardim Iolanda e Passo Fundo. Os mapas mostravam bairros, ruas, equipamentos públicos (escolas, postos de saúde, áreas verdes), linhas de ônibus e áreas de vazio demográfico, além de protótipos de usos permitidos e gabaritos de construção.
Na segunda parte, os participantes foram divididos em grupos de trabalho para responder, em relação ao Plano Diretor e à mobilidade:
• O que precisa melhorar (marcado em vermelho);
• O que já funciona bem (marcado em verde);
• O que precisa ser criado ou fortalecido (marcado em azul).
Cada grupo recebeu mapas da cidade e da região para colar adesivos coloridos nos pontos críticos e, simultaneamente, registrar por escrito as demandas e sugestões. As propostas envolveram temas como:
• necessidade de abertura e conexão de ruas para facilitar deslocamentos;
• melhoria de equipamentos públicos (escolas, postos de saúde, áreas de lazer);
• atenção aos vazios demográficos (lotes sem construção) e ao impacto deles nos custos de manutenção de infraestrutura;
• priorização de calçadas, acessibilidade e transporte coletivo na pavimentação de vias;
• preservação de áreas verdes e preocupação com pontos de alagamento.
Todas as contribuições foram compiladas pela equipe técnica para posterior sistematização em relatórios que integrarão o novo desenho do Plano Diretor. Um dos pontos enfatizados pelo corpo técnico foi a nova lógica de mobilidade urbana, que não coloca mais o carro no centro das prioridades. A orientação é que os projetos de infraestrutura do município sigam a seguinte ordem de preferência:
1. Pedestres (pessoas que andam a pé);
2. Ciclistas;
3. Usuários de transporte coletivo;
4. Transporte de carga;
5. Automóveis particulares.
Foi explicado que projetos de pavimentação que não incluam calçadas, acessibilidade, pisos táteis e rampas para pessoas com deficiência tendem a não obter financiamento. Por isso, qualquer intervenção viária precisa ser pensada de forma integrada, contemplando deslocamentos a pé, de bicicleta e por ônibus, além da drenagem de águas da chuva e da proteção ambiental.
A apresentação também mostrou dados gerais do município: a área urbana corresponde a cerca de 6,7% do território, enquanto um terço do território é destinado à agricultura e silvicultura, e metade é formada por áreas de floresta e plantios. Um dado considerado crítico é que 41% da área urbana é considerada “vazio demográfico”, isto é, lotes sem edificação. Esse padrão de expansão foi qualificado como caro para o poder público, pois aumenta os custos de manutenção de asfalto, drenagem, redes de esgoto, iluminação e serviços de saúde e educação, ao mesmo tempo em que dificulta os deslocamentos diários da população. A proposta técnica é concentrar mais a ocupação, aproveitando melhor a infraestrutura já existente e evitando retrabalho e sobreposição de serviços.
As falas também tocaram nas mudanças climáticas e nos episódios recentes de enchentes, destacando que muitos moradores ainda vivem com angústia sobre novas cheias. A equipe apontou que o Plano Diretor precisa trazer estratégias claras para áreas sujeitas a alagamentos, debatendo se:
• haverá restrição à ocupação em determinadas zonas;
• serão definidas regras específicas de construção em áreas de risco;
• serão exigidas soluções de drenagem e adaptação que reduzam danos em futuras ocorrências.
A discussão pretende conciliar a permanência das famílias, quando possível, com a redução de impactos e a prevenção de novos desastres. A coordenação lembrou que esta é apenas uma das etapas do processo. Ainda estão previstas outras cinco reuniões regionais para discutir o Plano Diretor em diferentes partes da cidade, além de:
• pesquisas de campo quantitativas (entre 400 e 500 pessoas), já em andamento;
• entrevistas qualitativas, com grupos menores, para aprofundar temas específicos;
• participação via internet, por meio do site da prefeitura, e atendimento presencial para quem não tem acesso à rede;
• uma grande conferência final na Câmara de Vereadores.
Após a conferência, a prefeitura deverá protocolar o projeto de lei do novo Plano Diretor e das leis complementares, que serão submetidos à discussão, apreciação e votação dos vereadores. As contribuições da reunião no CTG Darci Fagundes, incluindo as propostas para Jardim Iolanda, Passo Fundo e arredores, passarão a integrar o conjunto de documentos que orientarão o planejamento de Guaíba para os próximos anos.
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